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sábado, 8 de janeiro de 2011

ORAÇÃO VÉDICA PARA O RACIOCÍNIO E MEMÓRIA


Este artigo surge como resposta a um comentário anónimo feito aqui no blog. O autor do comentário solicitava-me que lhe ensinasse um mantra que o ajudasse a melhorar a sua memória. Não tendo o contacto deste comentador anónimo, resta-me então publicar aqui a resposta ao seu pedido, e deixar a chamada de atenção que os comentários anónimos e sem contacto correm o risco de não ver as suas questões atendidas.


Decidi então escrever este artigo como esclarecimento à questão que me foi apresentada.
Quando me deparei com a questão, fiquei com a sensação de que este/a comentador/a anónimo/a entendia pessoalmente o mantra como uma forma de "encantamento": o praticante repete esta prece "mágica" umas quantas vezes e o efeito desejado acontece. De acordo com a minha experiência pessoal com a prática de mantra não partilho desse entendimento, aliás, acredito que desse ponto de vista o melhor que o praticante iria alcançar era a memorização do mantra e não do verdadeiro conhecimento que este transmite.
Entoar mantra é invocar os mais distintos aspectos do divino, Íshvara (o Senhor), sob o nome ou forma mais adequado para cada um invocar o indescritível, o inominável, o inantingível. Entoar mantra (prece/oração) revela o intelecto humano, permite ao praticante sentir-se um ser completo, adequado, pela via da identificação com o Ser Absoluto, Íshvara. O mantra revela satisfação no praticante face aos esforços por este empreendidos, face às limitações e condicionamentos que cada um encontra pessoalmente a nível físico, cognitivo, emocional, espiritual, ou ainda de tempo, espaço, estrato social, religião, cultura, educação, recursos, e tudo quanto possa fazer o indivíduo sentir-se infeliz, inadequado, deficiente. O mantra completa o esforço do indivíduo. Ao praticar mantra, o indivíduo obtém como resultado a graça, este entende a glória divina em todas as suas realizações, capacidades e respectivas limitações.


É neste entendimento que transmito então este mantra védico para desenvolver a acuidade mental, o raciocínio e a memória. Esta oração foi extraída do livro Orações Milenares: Vivendo com Inteligência, de Glória Arieira, professora de Vedanta e Sânscrito, discipula de Swami Dayanada Saraswati (para mais informação sobre a Glória e seu ensinamento, não deixe de visitar o seu site em www.vidyamandir.org.br). Bom proveito:


medhám ma indro dadátu
medhám devi sarasvati
medhám me ashviná-
vubhávádhattám puskarasrajau



Que o Senhor me dê a capacidade de pensar e memória.
Que a Deusa Sarasvati me abençoe com raciocínio claro e memória.
Que a luz que ilumina o universo ilumine meu intelecto.


Para concluir este artigo, permito-me mencionar aqui outras técnicas auxiliares ao mantra para o praticante realmente atingir a transformação que procura para si, e neste caso em particular, para desenvolver a memória.
Se por entoar mantra alcançamos o entendimento necessário para desenvolver a aceitação da nossa natureza e o discernimento da realidade para objectificar a transformação almejada, será importante que este conhecimento seja praticado não somente pelo intelecto, mas em toda a acção diária do indivíduo.
Neste sentido, existem técnicas como Yoga Nidra que funcionam como um meio para desenvolver o acesso consciente à informação trabalhada pelo indivíduo, e desta forma aumentar as suas funções de memória e de capacidade de aprendizagem. Existem dois factores envolvidos no processo de memorização: o primeiroo, é a capacidade do cérebro de absorver informação; o segundo, é a capacidade que o cérebro tem de posteriormente rebuscar essa informação na memória. O Yoga Nidra trabalha ambos factores estabelecendo um estado de máxima receptividade na mente subconsciente em simultâneo com um estado de alerta/vigília/concentração.
Esta é uma técnica de relaxamento profundo auxiliada por mentalizações/visualizações descritas pelo instrutor, sendo desenvolvida no praticante a faculdade da audição (ou quando o praticante já tem domínio sobre a técnica pode também fazê-la através da auto-sugestão). A audição cria um registo contínuo de cada som escutado no cortex cerebral, ficando armazenado nos seus vastos bancos de memória. Aqui encontram-se latentes e inacessíveis, a não ser que encontremos uma forma de rebuscá-los para o presente. O método para tal é criar um estímulo apropriado durante o estado de consciência ordinária, desperto e vigilante. Por exemplo: um adulto que através de uma melodia acede a um turbilhão de memórias já esquecidas sobre a sua infância.
Para reforçar a técnica de Yoga Nidra, podemos arranjar estímulos que nos ajudem posteriormente a aceder à informação. Por exemplo: se é uma daquelas pessoas que normalmente esquece os nomes das outras pessoas, comece por criar uma relação com o nome. Use os seus sentidos percepcionais e associe informação ao nome: Maria - olhos verdes - blusa amarela - voz rouca - professora de música, etc., todo e qualquer estímulo que auxilie a memória a reconstruir a situação em que tomou conhecimento do nome, e desta forma, a rebuscá-lo na memória. Este exemplo serve para todo o tipo de situação: nomes de pessoas, terras, datas, compromissos, matéria de estudo para a escola, projectos de trabalho, etc.
Ao final de cada dia, dedique um momento antes de dormir, entre 5 a 10 minutos (e com a prática decide se depois aumenta o tempo) para se deitar relaxado, de costas, e de olhos fechados, partir da consciência do momento presente e mentalmente retroceder passo a passo relembrando cada acção decorrida ao longo do dia, com todos os pormenores que conseguir incluir, até chegar à consciência do momento em que havia despertado nesse dia. Cada vez que a mente se distrair, volte ao ponto em que tem memória de ter parado. Se recorrentemente voltar a distrair-se, comece tudo do início. Com tempo e prática, retroceda mentalmente 2 dias, 3, 5, uma semana, duas, um mês, 1 ano, 10 anos, 20, 50, 100, 500, 1000 anos, retroceda até à pré-história, até ao início da vida no planeta, até à origem do próprio universo ou mesmo até ao momento anterior a isso.
Para mais informações acerca das técnicas de Yoga Nidra, informe-se junto do seu mestre ou então consulte o trabalho de Swami Satyananda Saraswati, que desenvolveu imenso conhecimento sobre esta técnica.


Acredito que se aliar esta atitude no seu comportamento à prática de mantra conseguirá certamente alumiar o seu intelecto e avivar a sua memória.
Bom estudo e boas práticas!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

HARI OM e OM SHÁNTI SHÁNTI SHÁNTI

HARI OM e OM SHÁNTI SHÁNTI SHÁNTI


HARI OM
HARI OM
OM SHÁNTI SHÁNTI SHÁNTI



HARI OM é um mantra muito especial como poderão perceber já de seguida pela sua explicação. A motivação que leva à prática deste mantra difere da razão que motiva a prática dos mantras em geral, isto é, a prática de mantra é normalmente realizada como ekagráta, como objecto de concentração para a fixação mental, ou ainda como processo de purificação dos canais energéticos, em que o mantra nos permite penetrar nas diferentes dimensões de consciência do ser (pránamayakosha). Este mantra apresenta uma motivação diferente destas, trata-se antes de uma invocação ao Absoluto manifesto.


OM SHÁNTI SHÁNTI SHÁNTI por sua vez é um canto que surge como conclusão em todos os mantras conhecidos como Mantras de Paz ou Shánti Mantras. Este mantra é entoado no sentido de desenvolver e conduzir a educação espiritual de cada praticante para a Paz num sentido geral.


Um aspecto peculiar que podemos tratar no que toca ao mantra HARI OM é que este é o único entre todos os mantras em que o OM vem referido depois da referência à divindade HARI, e isto faz toda a diferença no que toca à motivação do praticante ao entoar este mantra como uma invocação divina. Então porque razão os mantras a todas as outras divindades principiam com o OM e só de seguida vem a referência a estas e neste HARI precede o OM?


HARI é um dos nomes de Íshvara, e significa “aquele que remove os resultados de um mau karma” (adharma), mas nos textos Vishnu Sahasranama, as características de removedor de obstáculos simbolizadas pelo nome HARI são atribuídas a Vishnu. No épico Mahabarata (Bhagavad-Gita), Krishna refere-se a si mesmo como HARI, removedor de qualquer pecado e objecto de adoração de todo e qualquer sacrifício divino. HARI é também entendido não como uma deidade mas como Brahma, a origem de tudo e de onde ressoa o próprio OM, e esta surge como a resposta à unicidade da ordem atribuída às palavras deste mantra. HARI é Brahma Purusha, o espírito /ser / essência de Brahma, OM é Brahma Shabda, o corpo sonoro /frequência de Brahma. Desta forma, o OM é uma manifestação de HARI, daí ser entoado de seguida a este e não antes, como nos mantras às outras deidades, pois todas estas se manifestam por sua vez no OM. Resumindo, HARI é ao mesmo tempo OM e vice-versa, um e outro significam o mesmo, manifestam-se no presente-passado-futuro, a contemplação do mantra OM é atingir a forma do Absoluto, e a invocação e mentalização de HARI desfaz firmemente qualquer pecado, mau karma ou efeitos astrológicos negativos, reduzindo ao mesmo tempo a ignorância humana da sua natureza divina.


Voltando ao mantra OM SHÁNTI SHÁNTI SHÁNTI, a palavra SHÁNTI é entoada por três vezes não para colocar ênfase sobre o significado da paz, mas representando as três distintas categorias em que se manifestam as perturbações à paz:


ADHIDAIVIKAM: significa literalmente “perturbações que advém de intervenção divina”, ou seja, fenómenos tais como tsunamis, tremores de terra, tempestades, erupções vulcânicas, etc., então ao primeiro SHÁNTI entendemos como “estejamos protegidos das perturbações / obstáculos que ultrapassam o nosso controle”;


ADHIBHAUTIKAM: significa literalmente “perturbações mundanas”, ou seja, fenómenos como comportamentos ruidosos, comportamentos que originam os demais tipos de poluição, problemas que surjam das relações interpessoais ou da normatização imposta pelos governos, etc., então ao segundo SHÁNTI entendemos como “estejamos protegidos das pessoas e do meio envolvente”;


ADHYATMIKAM: significa literalmente “as perturbações que se manifestam do Si”, ou seja, as perturbações que advém da mente, da emoção, ou do ego, perturbações que produzam apego ou aversão, tais como a luxúria, a inveja, cobiça, ódio, raiva, etc., então ao terceiro SHÁNTI entendemos como “estejamos protegidos dos obstáculos interiores”.


Após entoar cada SHÁNTI manifesta-se um momento silencioso, e este representa efectivamente a verdadeira paz. SHÁNTI é a realização da natureza iluminada e espiritual do praticante. De seguida deixo-vos com mais uma versão áudio original caseira do mantra Hari Om como um mantra de paz. Espero que apreciem.



quarta-feira, 20 de maio de 2009

PRABHUJEE

PRABHUJEE


Prabhujee Dayaa Karo
Maname Aana Baso
Tuma Bina Laage Soonaa
Khaali Ghatame Prema Bharo
Tantra Mantra Pojaa Nahi Jaanu
Mai To Kevala Tumako Hi Manu
Sare Jaga Me Dhundaa Tumako
Aba To Aakara Baahan Dharo



Trago-vos aqui uma abordagem semântica deste mantra, como tal não deverá ser entendida como uma tradução literária do mesmo.


Este mantra evoca a consciência presente da compaixão emanente do Absoluto. A mente deve estar sempre atenta ao seu estado divino, a sua existência luminosa. O conhecimento da nossa existência deriva de uma linhagem directa com o corpo de luz divina que emana de Brahma, a origem. Por Brahma o conhecimento chegou a Manu, o "pai da humanidade" (filho do Sol, de quem recebeu a luz de Brahma - brahmavidya), que a transmitiu a Krishna, e através do estudo do Bhagavad-Gitá poderão perceber que o caminho que desde então seguiu vem directamente ter a nós. O entendimento desta consciência incondicional como um corpo que permeia toda a existência abstém o praticante do sofrimento provocado pela sua solidão interior, tornando-o uno com o absoluto.


O equilíbrio da prática devocional deriva da coragem e discernimento para saber estar no ponto de encontro entre o mundo externo e o interno, saber viver com prazer na aceitação e desprendimento das condições do plano das realidades físicas, e estar sempre focado com a mente na unidade entre os demais planos de existência do Ser, a mente ser um templo divino. Neste momento de consciência o ser encontra-se imerso num estado de graça pura, sem dualidade, banhado pela luz radiante do amor e alegria num abraço à volta do mundo.


Por sermos conscientes da nossa natureza entoamos este mantra.


Em baixo segue uma interpretação minha deste mantra, uma interpretação inspirada na versão deste mantra por Ravi Shankar no álbum Chants of India. Esta é uma gravação caseira bem simples que resolvi fazer quando descobri um software gratuito na internet em audacity.sourceforge.net (mais informação a seguir à caixa de vídeo). ATENÇÃO: verifiquem se o volume dos vossos altifalantes não está muito elevado pois este ficheiro tem um pouco de estática. Obrigado pela compreensão, e espero que apreciem.







O Audacity é um gravador de pistas digital, que permite gravar som (voz, instrumentos) para dentro do computador através de um microfone, para posteriormente converter ou exportar em formato digital (mp3 / wav), e podermos ter uma gravação autêntica e original. Não é necessária nenhuma placa de som "XPTO" nem sistema de altifalantes topo de gama, mas se fôr esse o caso terão com certeza melhor qualidade na gravação. Eu fiz esta experiência no meu laptop com uns headphones e um microfone, ambos de baixa qualidade, o que atribui alguma estática sonora no produto final, portanto aconselho-vos a não subir muito o volume dos altifalantes quando ouvirem esta música aqui no blog.


Usar o audacity é tão simples quanto ligar o microfone e começar a gravar. Para gravarem várias pistas sobrepostas aconselho-vos a utilizarem uns auscultadores (headphones)para que o som que sai dos altifalantes não volte a ser captado pelo microfone. Depois têm vários efeitos e outras ferramentas que vos permitem fazer experiências com as vossas gravações.


Depois da gravação finalizada terão de converter o documento para um ficheiro MP3 ou WAV. Para isso, sugiro que façam o download também gratuito do software de conversão em www.dbpoweramp.com, e pronto, já têm a vossa gravação em formato digital audio.

O próximo passo, caso pretendam editar esse ficheiro aúdio no vosso blog, é criar um ficheiro de video, por exemplo no Windows Movie Maker, e inserir lá o ficheiro de som, uma vez que no blog não é possível inserir ficheiros de áudio tal como no myspace (corrijam-me se estiver errado). Esta é uma experiência ainda inicial que aqui vos deixo, fiz esta gravação no primeiro dia de uso do programa, já estou dedicado a melhorá-la, no entanto fica aqui a dica para os apreciadores de mantra darem um toque mais autêntico à sua informação. Mantras felizes para todos os "mantreiros"!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

MANGALAM

Bhoomi mangalam. Udaka mangalam.
Agni mangalam. Vaayu mangalam.
Gagana mangalam. Soorya mangalam
Chandra mangalam. Jagat Mangalam.
Jeeva mangalam. Deha mangalam
Mano mangalam. Aatma mangalam
Sarva mangalam Bhavatu Bhavatu Bhavatu.
Sarva mangalam Bhavatu Bhavatu Bhavatu.
Sarva mangalam Bhavatu Bhavatu Bhavatu.


Possa estar a tranquilidade na terra, na água, no fogo, no vento, no céu, no sol, na lua, no nosso planeta, em todos os seres viventes, no corpo, na mente e no espírito. Possa a tranquilidade estar em todos os lugares, e em todo o mundo.
VANDANAA TRAYEE

Sri Vakratunda Mahákáya
Gorbi Surya sama prabha.
Nirvighnam Kuru Me Deva
Sarvakár yeshu Sarvadá.


Yá Kunden dútushára hára dhavalá
Yá Shubhrava strávrtá.
Yá Véna avaradanda mandita kará
Yá Shveta padma ásana.

OM...
Guru Brahma Guru vishnu
Guru Devo Mahesvarah.
Guru sákshát Param Brahma.
Tasmai Shri Gurave Namah.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

OM NAMAH SHIVAYA GURAVE

Om
Om Namah shivaya gurave
Sat chidananda murtaye
Nisprapanchaya shantaya
Niralambaya tejase

Om
Om Saudações ao eterno mestre
Que existe dentro de nós como o ser puro
Consciência pura, alegria pura
Aquele que é paz, luminoso, sem forma
Aquele que sempre nos apoia.
PURNAMADAH

Om Purnamadah Purnamidam
Purnaat Purnamudachyate
Purnasya purnamadaya
Puranamevavashishyate
Om Shanti Shanti Shanti

Isto é perfeito, aquilo é perfeito
O que vem da perfeição é perfeito
O que fica depois da perfeição é perfeito
Se o perfeito for retirado da perfeição
Que haja paz, paz, paz

(No entanto, para um entendimento mais contemplativo deste mantra, sugiro-vos esta tradução seguinte. Agradecimentos ao Simão)


Isto é plenitude, aquilo é plenitude
O que vem da plenitude é plenitude
O que fica depois da plenitude é plenitude
Se a plenitude for retirada da plenitude
Que haja paz, paz, paz

GAYATRI MANTRA

GAYATRI MANTRA


OM BHUR BHUVAH SVAHA
TAT SAVITUR VARENYAM
BHARGO DEVASYA DHYMAHI
DHIYO YO NAHA PRACHODAYAT



A interpretação literária deste mantra que aqui vos trago foi retirada e adaptada de http://murilloyoga.multiply.com. Para uma abordagem mais completa ao Gayatri Mantra não deixem de visitar o site deste yogin, que desde já agradeço pelo contributo à compreensão do mesmo.


Gayatri é um dos aspectos da deusa Saraswati, esposa de Brahma e que representa o seu poder criativo ou shakti. Saraswati é mitologicamente representada como a protectora e inspiradora das artes, música, literatura e ciência. No entanto, esotericamente ela representa o potencial de expressão da mente humana.


A palavra Gayatri é composta de duas palavras: Gaya= Florescer, abundar, energizar (vitalizar), energia vital. Trâyate =o que protege; o que concede a liberação.

Não é por acaso que o gayatri mantra é considerado a essência dos Vedas. O OM é a base de onde toda a criação tem existência. Ele é o substrato de todo o Conhecimento, é o "pano de fundo" onde o potencial criativo se manifesta, o OM é produto da Shakti, ou Poder Criativo da Consciência [Brahman].


BHUR BHUVAH SVAH: são 3 das 7 Vyahritis (lit. "palavras, dizeres") percebidas pelo sábio Vishwamitra. Representam 3 dos 7 planos de manifestação da Consciência. As vyahritis mais o OM são usadas como uma introdução ao mantra.
BHUR é tradicionalmente associada ao plano físico. É a atmosfera espiritual pertinente ao planeta, corpo celeste do planeta Terra.


BHUVAH é lit. "atmosfera". Segundo a tradição seria o espaço entre o Sol e a Terra e entre a Terra e os outros planetas. Para o pensamento hindu, todos os planetas são habitados e ao mesmo tempo são consciências distintas, sendo Júpiter o mais avançado espiritualmente de todos no nosso sistema solar.


SVAHA: é o Paraíso, o plano mais alto em nosso sistema. É associado ao Sol, que segundo os sábios é o "limite da omnisciência" (Íshvara) do nosso sistema. É ele o portador de todos os referenciais de conhecimento que possuímos.


As vyahrits são interpretadas de várias maneiras, dependendo do ponto de vista filosófico.


1)Tat: Sabedoria Profunda (Brahma Jñana)
2)Sa: Bom uso da energia
3)Vi: Bom uso da riqueza
4)Tu: Coragem durante períodos ruins / acidentes
5)Va:A grandiosidade do convívio amigável com as mulheres
6)Re:A grandiosidade da esposa, que concede toda a fortuna à família
7)Nyam: Adoração e respeito à Natureza
8)Bhar: Controle Mental constante e firme
9)Go: Cooperação e Paciência
10)De: Todos os sentidos sob controle
11)Va: Vida Pura
12)Sya: Unidade do homem com Deus
13)Dhy: Sucesso em todas as esferas
14)Ma: Justiça Divina e Disciplina
15)Hi: Conhecimento
16)Dhi: Vida e morte
17)Yo: Seguir o caminho da rectidão
18)Yo: Manutenção da Vida
19)Nah: Cautela e Segurança
20)Pra: Conhecimento das coisas que estão por vir e doação para o bem
21)Cho: Leitura das escrituras sagradas e associação com os sábios
22)Da: Auto Realização e Bem Aventurança
23)Ya: Boa Progénese (capacidade reprodutora)
24)At: Disciplinas da vida e cooperação


O mantra não é uma simples oração ou ode a uma deidade específica, mas sim todo um conjunto de conhecimentos profundos e subtis.


Esta é uma das várias interpretações que podem ser feitas ao Gayatri Mantra.


Em baixo segue uma versão áudio minha deste mantra num formato original, espero que apreciem. ATENÇÃO: Verifiquem se o volume dos vossos altifalantes não está muito elevado, pois o som deste ficheiro áudio tem um pouco de estática. Agradeço pela vossa compreensão.





Se quiserem saber como fazer as vossas próprias gravações caseiras de mantras simplesmente utilizando o vosso computador, não deixem de consultar o artigo sobre o mantra Prabhujee.

terça-feira, 8 de abril de 2008

SABBE SATTÁ SUKHI HONTU

SABBE SATTÁ SUKHI HONTU


Sabbe sattā sukhi hontu é uma frase Pali que significa “Que todos os seres estejam bem (ou felizes)”. Não é propriamente um mantra, mas é um canto usado na mesma forma que o mantra.


Ao contrário da maioria dos mantras, esta frase tem um sentido literário definitivo:


Sabbe = todos
Sattaa = existência ilimitada / luminosa
Sukhi = aquele que disfruta com prazer / confortável / feliz
Hontu = estar / ser (verbo apelativo)


Deste modo, deverá ser entendida como "Que toda a existência disfrute confortavelmente da vida", ou de uma forma mais simples, e reforçando o sentido apelativo do verbo Hontu, "Que todos os seres (façam o favor de ser/queiram ser)sejam felizes", pois esta é a sua Natureza.


Esta frase deve ser entoada com a atenção centrada no coração, e se possível visualizar mentalmente uma luz que brota / nasce no coração e chega a todos os seres.


Entre outras expressões Pali similares, esta é aquela que melhor expressa a dedicação ao amor e compaixão. Podem encontrar-se outras variantes para esta frase:

· sabbe satta avera hontu (que todos os seres estejam livres da inimizade e do perigo)


· sabbe satta abyapajjha hontu (que todos os seres estejam livres do sofrimento mental)


· sabbe satta anigha hontu (que todos os seres estejam livres do sofrimento físico)


· sabbe satta dukkha muccantu (que todos os seres estejam livres do sofrimento)


· sabbe satta sukhi attanam pariharantu (que todos os seres se protejam alegremente)


Em baixo apresento-vos uma versão original de minha autoria deste mantra, espero que apreciem. ATENÇÃO: verifiquem se o volume dos vossos altifalantes não estão muito elevados, porque este ficheiro tem um pouco de estática. Grato pela compreensão.





Se quiserem saber como gravar facilmente os vossos mantras somente com o uso do computador e um microfone, não deixem de consultar o artigo sobre o mantra Prabhujee.

GATE GATE PARAGATE PARASAMGATE BODHI SVAHA

GATE GATE


GATE GATE
PARAGATE
PARASAMGATE
BODHI SVAHA



Este mantra representa uma classe das escrituras Mahayana conhecida como os Sutras da Prajñaparamita (perfeição do conhecimento). Estes aforismos incluem ensinamentos tais como o Sutra do Coração e o Sutra do Diamante. Estes textos são objecto de adoração e devoção no Budismo de Mahayana.
Prajñaparamita eventualmente tornou-se personificada como uma deusa, mas este mantra não se dedica a ela, mas sim aos textos da Perfeição do Conhecimento.


As palavras aqui apresentadas têm o sentido literal:
“Foi, foi, foi para longe, foi inteiramente no longínquo, saudar à Iluminação”


O objectivo do yoga é o próprio yoga. A finalidade que procuramos alcançar já existe em nós, não é possível encontrá-la fora. Nada precisamos acrescentar ao que já somos, nem nos iremos tornar alguém diferente, mas sim conhecer-nos melhor. A questão é que temos tantas impurezas e condicionamentos acumulados que não sabemos reconhecer a nossa verdadeira identidade. O caminho do autoconhecimento inclui um processo de purificação no qual nos despojamos de tudo o que for supérfluo, de todos os condicionamentos e, principalmente, da ignorância existencial. Uma vez realizada essa purificação, surge a verdadeira meta a alcançar: a nossa identidade com o Absoluto.


Este mantra propicia uma boa mentalização para iniciar uma prática de yoga: não interpretem literalmente o sentido de “paragate parasamgate” (foi para longe, foi totalmente no longínquo), porque de facto o praticante não vai a lado nenhum que se encontre distante, pelo contrário o seu objectivo está bem próximo, dentro de cada um. A proposta é que a abordagem à prática seja no sentido de mergulhar profundamente no conhecimento de si, na sua experiência existencial mais intrínseca, no mais subtil do seu ser, para que encontre verdadeiramente “boddhi svaha” (saudar a iluminação) a sua natureza iluminada, o seu conhecimento integral, impossível de ser transmitido por qualquer guru, mestre ou factor externo, indicando que o verdadeiro mestre de sua vida não é outro/a que não o praticante.


"Gate" é uma forma verbal bastante completa, esta pode representar literalmente o verbo "ir", "estar", "levar", "trazer", ou mesmo "ser" de acordo com o contexto literário em que se insere. A sua aplicação é de tal forma extensa que para se entedê-la deveremos seguir ao mesmo tempo direcções diametralmente opostas, numa perspectiva quântica de análise: se interpretarmos Gate com o sentido Foi, devemos entender como ir profundamente no espaço interno do ser, uma imersão nos corpos mais sublimes, tornando desta forma a sua atenção centrada no seu aspecto mais sublime, a Consciência, encontrar a unidade do seu centro interior.
Agora abordemos o extremo oposto: Gate surge aqui como uma viagem expansiva dos vários corpos conscientes do ser, que inicialmente se identificará como parte integrante do meio onde se insere, como uno a este planeta e à sua diversidade, como parte essencial do sistema solar, expandindo a sua identidade universal e total. Qualquer uma das viagens propostas conduzem o praticante à consciência da Unidade com o Absoluto.