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quarta-feira, 28 de maio de 2014

PRÁNÁYÁMA - OS EFEITOS DO PRÁNÁYÁMA


Os Efeitos do Pránáyáma

Apesar da prática de ásana produzir efeitos semelhantes no corpo, o pránáyáma afecta a expansão rítmica dos pulmões, criando a circulação apropriada para os fluídos corporais dentro dos rins, estômago, fígado, vesícula e intestinos, na pele, e nos restantes orgãos.

O pránáyáma ajuda a manter a circulação sanguínea fluída, tonificando assim os nervos, o cérebro, a espinha dorsal, e os músculos cardíacos, contribuindo desta forma para a sua eficiência.

Na H.Y.P. (II:16-17), afirma-se que a prática regular de pránáyáma previne e cura doenças. A prática irregular, no entanto, pode resultar em episódios de asma, tosse, hiper-tensão, dores no peito ou coração, nos olhos e ouvidos, secura da língua, e rigidez bronquiolitica.
O pránáyáma purifica as nádis, protege os orgãos internos e células, e neutralisa o ácido lácteo, que causa fadiga e dor articular e muscular, permitindo uma recuperação rápida do corpo após esforço muscular intenso.

Favorece a digestão, o vigor, a vitalidade, a percepção e a memória. Liberta a mente dos condicionamentos físicos, aguça o intelecto, e ilumina o ser. A prática produz força e conhecimento. Diariamente, promove o sucesso e a consciência perfeita, purgando o praticante em relação ao medo da morte (Shiva Samhitá, IV: 17-18). O praticante experiencia o estado de serenidade, não se preocupa mais em relação às experiências do passado ou às expectativas para o futuro, permanece constantemente focado no momento presente.

Nádis e Chakras – o corpo subtil e os centros energéticos

A palavra nádi deriva do termo nád, que significa um caule oco, som, vibração ou ressonância. As nádis são tubos, leitos, ou canais que carregam ar, água, sangue, nutrientes, e outras substâncias através do corpo. Estas são as nossas artérias, veias, vasos capilares, brônquios, etc. Nos nossos corpos subtis ou espirituais, que não podem ser medidos, estas são canais para a energia cósmica, vital, seminal, entre outras, e ainda para as sensações, consciência ou aura espiritual / corpo astral. Estas são chamadas por diferentes nomes, de acordo com a sua função. Nadikás são pequenas nádis, e nádichakras são pequenos orgãos, tal como as glândulas ou gângleos, e os plexos nos 3 corpos: denso, subtil, e causal.

É mencionado na Varahopanishád (V, 54 – 55) que as nádis penetram o corpo desde a sola dos pés até à coroa na cabeça. Nestas flui o prána, o sopro vital, e no prána reside o Átma (Ser), que é por sua vez a residência da Shakti, a matrix criadora dos mundos animado e inanimado.
Todas as nádis originam num dos 2 centros: o coração, e o ventre. 12 dígitos acima do ânus e dos orgãos genitais, logo abaixo do umbigo, encontra-se um bolbo luminoso em forma de ovo chamado de kanda sthala. A partir do Kanda, 72000 nádis espalham-se através do corpo, cada uma destas ramifica-se noutras 72000. Movem-se em todas as direcções e cada uma destas tem uma função específica. A Shivá Samhita menciona 350000 nádis, das quais 14 são mencionadas como sendo as mais importantes. Destas 14 destacamos as 3 mais vitais, e essas são sushúmna, idá e pingalá. O sushúmna, que flui pelo centro da coluna vertebral, é bifurcado na raíz e conclui na coroa na cabeça, no lótus de mil pétalas (sahásrara). Este é chamado de suporte do universo, vishvadharini, brahmanádi, o leito de Brahma, ou a abertura de Brahma, Brahmarandhra. A sua natureza é sattvica, iluminada, brilhante. Diz-se que quando o prána flui no sushúmna, o tempo (ou a noção de) é engolido.
A energia que passa através de idá, pingalá, e sushúmna é chamada de bindu, literalmente um ponto constituído sem qualquer parte ou magnitude. Estas 3 nádis representam categoricamente a nádi lunar, a nádi solar, e a nádi de fogo. Antes do termo kundaliní ter entrado em voga, agni (fogo) era o termo usado para representar o poder divino que purifica e ascende tal como o fogo. Através da disciplina do Yoga, a serpente de energia (kundalini) que se encontra adormecida no kanda, na base da coluna, é forçada a despertar e ascender, tal e qual como o vapor, através do sushúmna, em direcção ao sahasrára. Quando a energia criativa (shakti) da kundalini é desperta, idá e pingalá fundem-se no sushúmna (Shiva Samhita, V:3).

Chakra significa roda, anel, centro. Chakras são rodas voadoras, irradiando energia, localizados em centros vitais ao longo da coluna vertebral, ligando as nádis aos variados koshas (camadas). Tal como uma antena capta um sinal de rádio e o transforma em som e música através de um aparelho de rádio, os chakras captam vibrações cósmicas e distribuem-nas pelo corpo através das nádis. O corpo reúne em si todo o universo, um microcosmos dentro do macrocosmos, aos níveis denso, subtil, e espiritual. De acordo com os textos de Yoga, outras duas energias muito importantes que pervadem o corpo são a energia solar que irradia no corpo através da nádi pingalá, e a energia lunar, que flui no corpo através de idá nádi. Quando estas duas nádis se entrecruzam entre si, formam os chakras ao longo do sushúmna.

Os principais chakras são: 1. Múladhára chakra – múla (raíz, fonte), ádhára (suporte, elemento vital), situado na pélvis, sobre o ânus; 2. Svádhistána chakra – assento da força vital, situado acima dos orgão sexuais; 3. Manipura chakra – situado na região do umbigo; 4. Anaháta chakra, situado na região cardíaca; 5. Vishuddha chakra – (puro), situado na região da faringe; 6. Ájñà chakra – (comando), situado na região entre as sobrancelhas; 7. Sahasrára chakra – (lótus de mil pétalas), situado na coroa da cabeça.

O múladhára chakra tem como base o elemento terra (prthvi tattva) e o cheiro. É a base da camada de alimento (annamayakosha), conectado com a absorção de comida e a excreção de fezes. Quando este chakra está activo, o praticante atinge firmeza em termos de vitalidade e sublima a sua energia sexual.

O svádhisthana chakra tem como base o elemento água (ap) e o sabor. Quando está activo, o sádhaka fica livre de doenças, e adquire uma saúde vibrante. Não se sentindo cansado, fatigado, este desenvolve uma atitude amigável e compassiva.

O manipura chakra tem como base o elemento fogo (agni) e quando este está activado o praticante obtém a calma mesmo em circunstâncias adversas. O svádhistana e o manipura chakras são o fundamento do pránamayakosha (camada sutil, energética).

O anahata chakra tem por base o elemento air (vayu) e o toque. Fica situado na região do coração físico e espiritual. Representa o corpo psicológico, ou manomayakosha (camada mental). Quando activo, fortalece o coração, desenvolve a adoração/devoçaõ (bhakti), e conhecimento (jñana). Estes libertam o sadhaka do prazer sensual e encaminham para a via da espiritualidade.

O vishuddha chakra, na região da garganta, topo do peito, e base do pescoço, é regido pelo elemento éter (akásh). Representa o corpo intelectual (vijñanamayakosha). Quando activo, o praticante desenvolve grande poder de compreensão, ele torna-se intelectualmente alerta, o seu discurso torna-se distinto, claro e fluente.

O ájñá chakra representa o assento do anandamayakosha, a camada emocional. Quando activo, o praticante desenvolve controle perfeito sobre o corpo e desenvolve a sua aura espiritual.

O sahasrára chakra é o assento do Ser Supremo (Parabhraman) ao final do brahmanádi ou sushúmna. Quando activo, o sadhaka torna-se um siddha, uma alma emancipada, um sábio.

PRÁNÁYÁMA - PRÁNA VAYUS: OS 5 TIPOS DE ENERGIA VITAL


Prána-vayus: os 5 tipos de energia vital

Prána é normalmente traduzido como respiração / fôlego / alento, no entanto esta é apenas uma das suas muitas manifestações no corpo humano. Se a respiração parar, também a vida pára. Na Shiva Samhita é chamado de vayu-sádhana (vayu: vento, sopro, respiração; sádhana: prática ou busca).

Os sábios indianos sabiam que todas as funções do corpo eram desenvolvidas por 5 tipos de energia vital (prána-váyus), todos estes são conhecidos genericamente como prána, mas a acepção do termo aqui refere-se ao particular: prána, apána, samána, udána, e vyána. Estes são aspectos específicos de uma só força cósmica vital.

O Prána move-se na região toráxica e controla a respiração, absorve a energia atmosférica vital.
Apána move-se no baixo ventre e controla a excreção de urina, sémen e fezes.
Samána atiça o fogo interno, favorecendo a digestão, e mantendo harmoniosamente as funções dos orgãos abdominais. Integra a totalidade do corpo denso humano.
Udána trabalha através da garganta, na laringe e faringe, controla as cordas vocais, a absorção de ar e de comida.
Vyána pervade todo o corpo, distribuindo a energia derivada da comida e da respiração através das artérias, veias e nervos.

No pránáyáma, o prána-vayu é activado pela inspiração, e o apána-vayu pela expiração. O udána-vayu eleva a energia a partir da base da coluna até ao cérebro. O vyána-vayu funciona essencialmente como o meio pelo qual o prána e o apána transferem energia de um para o outro.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

KAPALABHATI

KAPALABHATI

O nome desta técnica deriva da sensação que a prática desta produz: crânio brilhante (kapala – crânio / bhati – brilhante). Esta sensação resulta da quantidade extraordinária de oxigénio que é enviada ao cérebro, produzindo neste uma subtil dilatação que proporciona a experiência de “brilhar”.

Esta técnica é realmente um kriyá, um exercício destinado à purificação das mucosas internas do corpo, produzindo uma limpeza completa das vias respiratórias e das nádis (correntes prânicas), permitindo desta forma uma melhor realização (kriyá) na prática das demais técnicas yoguicas. Passemos à prática:

1. Qualquer postura sentada, ou mesmo em pé, com a coluna erecta, vertical e descontraída, é adequada para a prática. A postura deve ser firme para evitar oscilações do corpo devido à intensidade da expiração;
2. Inicie com rechaka (expiração), vazando totalmente o ar dos pulmões. Durante a técnica, mantenha sempre a atenção no espaço onde o ar passa, dentro das narinas;
3. Descontraia totalmente a região abdominal, e comece com puraka (inspiração) pelo nariz, enchendo lenta e profundamente a região do baixo ventre, e continue inspirando uniformemente enquanto completa o movimento respiratório e enche de oxigénio as regiões média e torácica;
4. De seguida, sem aplicar kúmbhaka (retenção do ar nos pulmões), contraia com vigor a musculatura do ventre (abdómen, diafragma, intercostais, grandes oblíquos), e expire fortemente e com som pelas narinas, expelindo totalmente de uma vez o ar do aparelho respiratório. A glote deve permanecer aberta para evitar atritos desagradáveis com a passagem forte do ar;
5. Descontraia a região abdominal e passe a inspirar (puraka) novamente de forma lenta e completa, e expire vigorosamente o ar. Dê atenção para não contrair a musculatura facial nem movimentar os ombros durante a expiração, mantendo a postura firme;
6. Pratique inicialmente este exercício por 10 ciclos respiratórios (inspirar-expirar x 10), e progressivamente passe a mais 10 ciclos, permitindo sempre que o aparelho respiratório relaxe totalmente entre cada volta de 10 ciclos. O efeito e progresso da técnica dependem sempre de si: inicie com uma volta de 10 ciclos e sinta-se livre para aumentar o número de voltas, relaxando sempre entre cada uma delas. A partir de 3 voltas garante uma purificação eficaz das vias respiratórias. Pratique apenas enquanto a técnica produzir um efeito confortável;
7. VARIANTES:
1) Alguns participantes não conseguem expirar o ar totalmente de uma vez, como tal esta variante aplica-se não só a estes, como se apresenta como uma abordagem interessante para qualquer um: durante a fase da rechaka (expiração), esvazie o ar de forma faseada (entre 2 a 5 expirações vigorosas), com atenção para não inspirar qualquer ar entre cada expiração, até vazar totalmente o aparelho respiratório;
2) Agora experimente praticar kapalabhati alternando as narinas, bloqueando uma de cada vez enquanto pratica pela oposta.

RECOMENDAÇÕES:
- Manter a postura firme para que o exercício seja eficaz;
- A atenção deve estar centrada na passagem do ar no interior do nariz. A concentração mental é reforçada se manter os olhos fechados. Pode ainda experimentar focar o seu próprio nariz, o que reforça bastante a sua concentração, mas garanta sempre que a postura está equilibrada e estável e que o ritmo respiratório é confortável e adequado para a prática, de modo a não experienciar qualquer sensação de tontura ou desnorteio, o que prejudicaria a intenção do kapalabhati. No entanto, se devidamente realizada, a concentração sobre este ponto (naságra drishti – a fixação ocular sobre a ponta do nariz) permitirá um efeito mais potente da técnica sobre os corpos mais subtis;
Esta técnica é ideal para ser praticada a seguir a despertar e antes de deitar, uma vez que limpa o aparelho respiratório e renova a energia deixando o praticante mais disponível tanto para um novo dia como para uma noite de sono revigorante. Pode ser praticada em qualquer altura do dia em que sinta apropriada a sua realização.

EFEITOS:
- Limpeza instantânea das mucosas e vias respiratórias;
- Tonifica e fortalece completamente o aparelho respiratório e o sistema nervoso;
- Aumenta a temperatura corporal e regula o metabolismo;
- Desenvolve uma excelente oxigenação cerebral, actuando na limpeza e purificação dos pulmões, órgãos internos e musculatura abdominal;
- Favorece a circulação sanguínea, e alimenta o plexo solar com energia vital (prána);
- Aumenta a confiança em si própri@, a capacidade de auto-controle e de concentração, desenvolvendo a percepção das faculdades mais subtis;
- Pode ocorrer por vezes uma certa sensação de euforia (não se verifica como regra geral em todos os participantes, nem em todas as práticas de alguém que tivesse experimentado esta sensação. Esta pode decorrer pelo facto de o ritmo respiratório estar diferente do normal, pela atenção estar centrada na cabeça, ou mesmo ser motivada pela hiperoxigenação do cérebro. Nestas situações, normalize o seu ritmo respiratório e relaxe totalmente o seu organismo).

CONTRA-INDICAÇÕES:
Este exercício não é aconselhado a praticantes com problemas graves do aparelho respiratório, ou problemas relacionados com o aparelho circulatório e sistema nervoso.

UJJÁYI PRÁNAYÁMA

UJJÁYI PRÁNAYÁMA

Deriva etimologicamente da raíz ujji, conquistar. Significa respiração vitoriosa. Apesar de ser apresentada como uma técnica de pránayáma, este tipo de respiração acontece em estados de concentração e meditação intensas e profundas. A sua prática é bem simples:

1. Escolha a suásana (a sua ásana)de meditação mais confortável ou favorita, mantendo as costas erectas embora descontraídas;
2. Coloque as mãos em jñana mudrá (unir polegar e indicador, esticar os restantes dedos) sobre os joelhos ou sobre a região sexual;
3. Relaxe as pálpebras fechando os olhos;
Inicie fazendo prána kriyá (respiração completa), dando atenção na região gutural enquanto aplica uma ligeira contracção da glote, produzindo um silvo na garganta, um som contínuo, uniforme e suave, baixo como um sussurro. Sinta o ar como se este fluísse directamente pela garganta; dirija a mente para a região da glândula tiróide;
4. Acrescente agora o ritmo da preferência, confortável, evitando qualquer fricção excessiva e / ou desagradável sobre a mucosa nasal e vias respiratórias, e comece por fazer entre 5 – 10 ciclos respiratórios.
Se sentir dificuldade em produzir este som, experimente fazer algumas vezes respirando pela boca, estando atento para que a fase da exalação seja feita bem devagar.

RECOMENDAÇÕES:
- Use toda a musculatura do tronco e ventre durante a rechaka (expiração), procurando expulsar totalmente o ar do aparelho respiratório;
- A técnica deve ser confortável e nada exigente, sem esforços exagerados ou violentos. A prática atenta evita comportamentos imprudentes, especialmente para praticantes que sofram de alguma enfermidade (em todo o caso, não deixe de consultar o seu médico ou terapeuta se tiver dúvidas acerca da segurança e bem-estar durante a prática de qualquer técnica);
- Manter os olhos fechados durante a técnica facilita a concentração ao praticante.

EFEITOS:
- Pela massagem que aplica nas mucosas internas do aparelho respiratório, favorece a excreção da fleuma, diminuindo sintomas como o catarro ou o incómodo pigarreio;
- Estimula as glândulas endócrinas, com especial atenção na tiróide, normalizando o seu funcionamento. Desta forma, é aconselhado para a correcção da hipotensão arterial;
- Aumenta a temperatura do corpo, sendo ideal para manter o corpo quente em dias mais frios. Aumento da temperatura corporal é dizer o mesmo que crescimento do corpo energético, a energia expande, cresce na consciência energética;
- Acredita-se que a sua prática surte efeitos positivos na prevenção e terapêutica de algumas doenças, tais como a tuberculose, distúrbios digestivos, e outras que ocorrem no sistema respiratório (gripe, constipação, rouquidão, tosse, faringite, sinusite, etc.);
- Estimula as funções intelectuais, uma vez que este exercício estimula a tiróide, uma das glândulas mais influentes e responsáveis sobre a inteligência, o comportamento e o temperamento (bem-estar, humor, energia), desenvolvendo destreza intelectual, vivacidade e acção, e brilho no espírito.

CONTRA-INDICAÇÕES:

Devido à sua forte acção sobre a glândula tiróide e a tensão arterial, a prática de ujjáyi deve ser evitada por praticantes com historial clínico de hipertensão e hipertiroidismo.