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terça-feira, 13 de outubro de 2009

SURYA NAMASCAR (MAIS VARIANTES)


Aqui vos deixo com mais umas variantes para abordarem a prática de Surya Namascar (saudação ao sol). Neste vídeo encontrarão diferentes séries da saudação, podendo estas ser praticadas em separado, ou nas combinações que mais vos agradarem e cumprirem os propósitos que vos motiva a inserirem-nas nas vossas práticas.


As saudações representam um importante trabalho no estudo do yogin no que toca à compreensão do ásana: o alinhamento do corpo, a transição entre cada ásana, e a sincronicidade entre a respiração e o movimento corporal. A isto devem ser devidamente combinados os drishtis (fixação ocular) e os bandhas (contracção, sucção ou pressão de grupos musculares), por forma a potenciar o efeito desta prática.


As recomendações práticas para Surya Namascar são as seguintes: respiração sussurrante (ujjayi - vitoriosa), activação/contracção do esfíncteres e pélvis (mula bandha) e do baixo ventre (uddiyana bandha) e fixação ocular (drishtis) durante a prática sequencial dos ásanas coordenados com a respiração.


Com estes videos procuro principalmente motivar e inspirar os praticantes e estudiosos do yoga ao conhecimento e prática destas técnicas que considero importantes no desenvolvimento e crescimento da minha prática pessoal.


No entanto, estas propostas não implicam a substituição de um professor de yoga devidamente competente para conduzir o praticante numa prática progressiva e saudável, com vista no seu crescimento pessoal e evitando devidamente a possibilidade de lesão por falta de conhecimento ou inexperiência, ou interpretação errónea das técnicas. Consultem o vosso professor ou instrutor de yoga, e caso pratiquem por conta própria, sejam conscientes que não existe alguém além de vocês mesmos responsável pela vossa integridade geral.Boas práticas!



video

BEBÉ SURYA A CAMINHO

Aqui ficam as primeiras fotos dele (pelo menos que sejam inteligíveis ao olho de alguém além do radiologista), que ao mesmo tempo serão as últimas fotos que veremos dele antes de saltar cá para fora.

Já só faltam 2 meses, já tem 1,850kg e mede 37 cm. Tá previsto nascer entre 4 e 16 de Dezembro, e nascerá com o peso mínimo de 3,600kg (dizem os médicos), mas quem decide o nascimento é sempre o bebé. A minha vontade é que seja feita a sua vontade! Sem pressa, aproveita o bem bom, a atenção e o amor incondicional da mamã, quando saires cá para fora percebes que não há nada como essa primeira casa.

Nesta altura ele já abre os olhos, mas não conseguimos apanhá-lo de olhos abertos para a fotografia, deve ter ficado ofuscado com o flash, hehehe...

Bom, lá para Dezembro já temos este Sol a brilhar cá fora, dentro de pouco tempo ficarão a conhecê-lo um pouco melhor. Até lá, tudo de muito bom para ti bebé lindo!








quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A FAMÍLIA - O CAMINHO PARA O AMOR INCONDICIONAL

Nos versos 234 a 238 no capítulo V do tratado Shiva Samhitá diz:

"Que ele (yoguin) pratique livre da companhia dos homens num local retirado. Pela manutenção da aparências, ele deve permanecer em sociedade, mas não tendo o seu coração nesta. Ele não deve renunciar aos deveres da sua profissão, casta ou posição social; mas que ele os desenvolva como um instrumento do Senhor (Shiva), sem qualquer pensamento acerca dos resultados. Ele prospera seguindo sabiamente o método do Yoga; não há dúvida disso. Permanecendo no seio da família, cumprindo com os deveres familiares, ele que está livre do mérito e do desmerecimento e que dominou os seus sentidos, alcança a salvação. Pela prática do Yoga, o homem de família não é tocado nem pela virtude nem pelo vício; se para proteger a humanidade ele cometer algum pecado, ele não se encontra poluído pelo mesmo."

Para alguns aspirantes a yoguin ou yoguini, manter o equilíbrio nas suas relações sociais, familiares, afectivas em geral, torna-se um obstáculo ao progresso na prática do Yoga pelo facto deste ponto de vista e estudo sobre a vida propor uma abordagem onde se privilegia o isolamento para o estudo de si mesmo e o desapego de qualquer objecto ou fruto da acção, seja este material, emocional, mental ou relacional. É realmente por demais importante para a evolução do praticante que ele respeite e desenvolva estas prescrições práticas, tal como também as éticas universais (yama) e a disciplina individual (niyama).

Numa abordagem inicial a estes dois primeiros membros (angas) do Yoga (Yama e Niyama), os praticantes poderão encontrar a necessidade de se isolar e desapegar da vida tal como a conheciam e viviam até então para poderem interpretar e experienciar prescrições tal como Brahmacharya (não desvirtuar a sexualidade) ou Aparigraha (não possessividade), mas o conhecimento que advém do seu estudo e prática constante acabará por levar o yoguin de volta à sociedade agora com um espírito renovado iluminado pelo conhecimento da prática do Yoga.

O conceito de brahmacharya não é algo que respeite a negação, austeridade forçada ou proibição, é antes o acto daquele que vê a divindade em tudo existente, e desta forma lida com a vida de forma religiosa (e isto não implica ter-se uma religião, mas ser-se antes compassivo e amoroso para com a existência).
Quase todos os grandes yoguis e sábios da velha Índia eram homens casados e com família própria. Sem experienciar o amor e a felicidade humana não é possível conhecer verdadeiramente o amor divino.

A aceitação incondicional de toda a riqueza e diversidade característica à humanidade e o amor compassivo por todas as formas de existência é para muitos a porta para a compreensão divina, para abrir as portas da sua consciência ao plano mais sublime e unificado da sua existência absoluta. Ghandi disse: "A minha vida é um todo indivisível, todas as minhas acções se encadeiam, e todas elas têm a sua origem no meu insaciável amor pela humanidade."

Partilhar de um relação é poder privar com alguém que nos reflecte o quanto livres nós somos, livres para sermos nós mesmos, livres para sermos autênticos e originais, livres para reconhecer nos outros a sua própria liberdade. Façamos das nossas relações uma oportunidade para crescermos a nossa sensibilidade e a nossa consciência, desprendendo-nos do apego excessivo, da possessividade e de todas as doenças que daí advém tais como o ciúme, o ódio ou a agressividade. Façamos das relações uma oportunidade de purificação dos nossos seres, que através do amor encontremos o nosso estado mais puro e mais iluminado. Que nos juntemos em liberdade.
Khalil Gibran escreveu a este propósito: "Mantede-vos juntos, mas nunca demasiado: porque os pilares do templo elevam-se, distanciados, e o carvalho o cipreste não crescem à sombra um do outro."

O amor dá e recebe de si mesmo, jamais possui nem quer ser possuído, e basta-se a si mesmo. O yogui e yoguini respectivamente Edson Moreira e Vanderléa Jovino (reverências a estes seres maravilhosos), manifestam a sua impressão muito universal e naturalista relativamente ao amor no Svátantrya Yoga Shástra: "O amor predispõe o ser a lutar para ser feliz. Resta saber se não se trata de uma criação inusitada e desnecessária o acto de amar! Afaste a razão dessa premissa tornando-a serena e espontânea, talvez assim descubra que o amor é a vida tal como se apresenta."
Sejamos naturais e vivamos amorosamente o dia-a-dia, cada momento, cada agora, conscientes do presente, libertos do passado, e sem ansiar o futuro. Amar é viver, é simplesmente ser, sem esforço, sem lutas, sem dominação nem cobrança. É fácil! Disfrute da vida e viva o amor. Viva o Amor!!!

Em Dezembro de 2009 nasce para este mundo o bebé Surya, um menino divino, o baby krishna cá de casa. Tudo de bom para este novo ser consciente que nos presenteia. Bem vindo sejas a esta vida, que tudo reflicta a tua luz, que tudo seja como tu um Sol, inspirador da humanidade, fonte e origem de todo o conhecimento, removedor de todos os obstáculos! Hare Surya Hare Hare! Hari Om! Om Shánti Shánti Shánti!

Vou voltar a citar Khalil Gibran, no livro O Profeta, relativamente aos filhos: "Sois os arcos e vossos filhos as setas vivas projectadas. O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito, e reteza-vos com o seu poder para que as setas possam voar depressa para longe. Que a vossa tensão na mão do Arqueiro seja de alegria. Porque assim como Ele gosta da seta que voa, também gosta do arco que fica."





terça-feira, 18 de agosto de 2009

YOGA VIDYA STUDYO - Centro de Estudo e Prática do Yoga - Faro




HARI OM! Este é um convite para conhecerem o YOGA VIDYA STUDIO, o novo Centro de Estudo e Prática do Yoga em Faro, Algarve.


Aqui desenvolvemos práticas de Hatha Yoga Tradicional, Ashtanga Yoga, Svátantrya Yoga, Rája Yoga, e Bhákti Yoga. Além das modalidades de prática que apresentamos, oferecemos todos os meses uma prática de estudo da filosofia e conhecimento que suportam o Yoga com a duração de 3 horas num fim de semana a definir a cada mês, sendo a participação nestas gratuita para todos os praticantes inscritos no centro. Todos os inscritos beneficiam ainda de desconto nos workshops que se realizem no centro.


As práticas dedicam-se a qualquer público-alvo com ou sem experiência prévia: crianças; jovens-adultos; seniors; grávidas e pós-parto; e ainda temos práticas exclusivamente de meditação. Não deixem de vir experimentar uma primeira prática oferecida pelo centro.


Consultem por favor a informação em baixo, e para mais informações ou inscrições, não hesitem em contactar-nos através deste blog ou de qualquer um destes contactos: yogalgarve@gmail.com ou tlm. (+351) 91 21 63 758. Visitem-nos em Urbanização de S. Luís, Lote F, Bloco B, Loja Q - 8000 Faro.








YOGA PARA ADULTOS


Integrar o Yoga na nossa vida é disfrutar de um estado de saúde física, paz mental e harmonia espiritual. Através de exercícios respiratórios, postura física, emancipação e retracção dos sentidos, concentração, meditação purificações internas e externas do corpo, técnicas de energização e exercícios de relaxamento, desenvolvemos o auto-conhecimento que nos permite controlar o corpo e a mente, desenvolver a emoção, canalizar energia, conduzindo-nos a um estado de equilíbrio, harmonia e felicidade.


Venha experimentar a prática que lhe propomos, combinando ainda sons energéticos, posturas reflexológicas (mãos), coreografia e dança, e a arte do sono consciente, num ambiente confortável e original.


Idade: dos 13 aos 50 anos (aproximadamente)
Duração: 1h30m
Dia da Semana:
Manhã: segunda-feira e sexta-feira - das 09h00m às 10h30m
Tarde: segunda-feira, quarta-feira e quinta-feira - das 20h00m às 21h30m
Custo: 30€ mensais x 1 prática por semana / 40 € mensais x 2 práticas por semana. A primeira prática é gratuita.O pagamento da mensalidade é efectuado no início de cada mês.
Recomendações: trazer roupa confortável, tapete para a prática, toalha (opcional) e boa disposição.





YOGA PARA CRIANÇAS – YOGA VIDYA STUDIO


Ser criança é a experiência viva da vontade do divino. Todo o conhecimento e consciência do universo se convertem em realização no nascimento deste ser uno e total que reúne em si os 5 elementos da mãe natureza: éter, ar, água, fogo e terra. Estas essências combinadas resultam num ser cristalizado, puro e livre: a criança.


Este é um espaço de celebração à liberdade universal de todos os seres: todo o mundo tem direito à vida, e todo o mundo tem direito igual. A criança precisa de ser livre para expressar a criação de todas as formas que a sua energia encontra para se manifestar. Assim, este é o momento ideal para desenvolver a expressão e criatividade da criança, para que esta se realize e cresça um ser íntegro e total.


Desenho e pintura, expressão plástica, dramatização, jogos de grupo, estórias, dança, as disciplinas técnicas propostas pelo yoga (valores, a respiração, o corpo, os sentidos, concentração, meditação e iluminação), e a livre expressão individual são as ferramentas utilizadas neste atelier.


Idade: Dos 5 aos 12 anos
Duração: 1H30M
Dia da semana: terça-feira e quinta-feira
Horário:
Manhã: Das 9h00m às 10h30m / Tarde: Das 15h00m às 16h30m
Custo: 30 €uros mensais x 1 prática por semana / 40 €uros mensais x 2 práticas por semana. A primeira prática é gratuita. O pagamento da mensalidade é efectuado no início de cada mês.
Recomendações: trazer roupa confortável e boa disposição


Nota:
1.As práticas iniciam quando houver um número mínimo de 5 inscrições. Os responsáveis pela criança serão informados quando houver turma constituída para começar. Máximo de 20 crianças por prática.
2. Na primeira mensalidade será acrescida de 5€ para pagamento do seguro pessoal da criança.





YOGA PARA GRÁVIDAS E PÓS PARTO


O Yoga para Grávidas tem como objectivo o desenvolvimento da consciência corporal da mulher face ao processo de transformação que está a viver com a gravidez, tornando a sua experiência mais consciente, dando sentido à realidade presente. Procura também reforçar o sentimento de união consigo mesma e com a criança que cresce dentro de si, e ainda com o parceiro, crescendo a harmonia e a cumplicidade entre o casal. O Yoga contribui ainda para a gestão das emoções e da dor, desenvolvendo o conhecimento de si, o controlo da respiração, o conforto do corpo e o relaxamento profundo desenvolvendo uma experiência de calma interior e harmonia com o meio envolvente. A prática de Yoga na gravidez proporciona uma experiência de conhecimento e de confiança no casal para a gravidez, e de prazer e segurança para o parto.


As práticas são bastante suaves, confortáveis e sem esforço, e dedicam-se às grávidas durante todo o período de gestação, e ainda às mães e bebés após o parto, permitindo que estas continuem o desenvolvimento da sua relação com a criança após o nascimento, desenvolvendo confiança e conforto na lida diária com a criança sem perder por completo a oportunidade de dedicar alguma atenção a si mesma e ao seu amor-próprio sem descuidar da criança. Haverá ainda práticas para o casal abordar o yoga em pares e desta forma crescerem conjuntamente e colaborarem neste processo de auto-descoberta que é a gravidez no seio da família.


Nas práticas serão abordadas técnicas de respiração, posturas físicas, a expansão e retracção dos sentidos, a concentração, posturas reflexológicas (mãos), técnicas de limpeza e purificação, dança, relaxamento profundo e meditação. A prática de meditação na gravidez é a maior dádiva que a mãe pode dar à criança, é uma comunhão divina entre estes dois seres, é o primeiro passo para garantir que trará uma criança inteligente, autêntica e consciente a este mundo.


Idade: Indefinida
Duração: 1H30M
Horário:
Manhã: Terça-feira e sexta-feira – das 11h00m às 12h30m
Tarde: Segunda-feira e quarta-feira – das 15h00m às 16h30m
Custo: 30 €uros mensais x 1 prática por semana / 40 €uros mensais x 2 práticas por semana. A primeira prática é gratuita. Os parceiros e os bebés não pagam nas práticas em pares ou pós-parto.O pagamento da mensalidade é efectuado mensalmente no início de cada mês
Recomendações: trazer roupa confortável, um cobertor e boa disposição.





YOGA PARA SENIORS (ADULTOS-IDOSOS)


Esta prática destina-se a quem quer que acredite que este é o momento de dedicar mais atenção a si mesmo, a ser saudável e feliz. As diferentes disciplinas técnicas do yoga permitem desenvolver a nossa respiração, o corpo torna-se mais limpo e saudável, os sentidos são estimulados, a concentração aumenta, a meditação traz a paz à mente e a saúde ao corpo.


Venha experimentar esta prática com exercícios bem suaves que lhe proporcionam maior conforto ao corpo e ao domínio dos movimentos, aprender a relaxar o corpo, a mente e a emoção, cresça a sua energia vital e melhore a sua qualidade de vida.


Yoga é a atenção que damos à nossa vida. Dê-se mais importância e amor próprio, contribua para o seu bem-estar e saúde, abrace a paz e a felicidade com o yoga.


Idade: aproximadamente dos 50 aos 90 anos
Duração: 1h30m
Dia da semana:
Manhã: segunda-feira e quinta-feira - Das 11h00m às 12h30m; Tarde: terça-feira e quinta-feira – Das 17h00m às 18h30m
Custo: 30€ mensais x 1 prática por semana / 40 € mensais x 2 práticas por semana. A primeira prática é gratuita. O pagamento da mensalidade é efectuado no início de cada mês.
Recomendações: trazer roupa confortável e boa disposição.


Nota:
1. O praticante deve apresentar ao instrutor no início da prática qualquer informação que considere pertinente relativamente ao seu historial clínico ou emocional, para que as práticas sejam adequadas a cada um, e saudáveis para este.





PRÁTICAS DE MEDITAÇÃO


"A meditação é uma aventura. A maior aventura que a mente humana é capaz de empreender. A meditação é simplesmente estar. Não fazer nada - ausência de acção. Simplesmente estás e é um enorme deleite. É um crescimento: um crescimento da tua vivência total. É uma mutação. É uma florescência. Um crescimento. Cresce a partir de ti." OSHO


Viva feliz sem qualquer razão especial, cresca a sua sensibilidade para o mundo que o/a rodeia, seja inteligente e desenvolva o respeito por si e pelos outros, desperte o amor incondicional e a compaixão espiritual na sua vida, dance a dança do seu verdadeiro Eu na solidão interior, e esteja em paz, sempre em paz.


Esta é a nossa proposta para estas práticas. Venha experimentar e aprender diferentes técnicas de meditação, até perceber que a verdadeira meditação é a ausência de qualquer técnica.


Idade: aproximadamente dos 15 aos 90 anos
Duração: 1h00m
Dia da semana: Quarta-feira
Manhã: das 11h00m às 12h30m
Tarde: das 17h00m às 18h30m
Custo: 30€ mensais x 1 prática por semana. A primeira prática é gratuita. O pagamento da mensalidade é efectuado no início de cada mês.
Recomendações: trazer roupa confortável, cobertor (opcional) e boa disposição.


Nota:
1. O praticante deve apresentar ao instrutor no início da prática qualquer informação que considere pertinente relativamente ao seu historial clínico ou emocional, para que as práticas sejam adequadas a cada um, e saudáveis para este.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

MEDITAÇÃO: SUGESTÕES PARA INICIADOS

SUGESTÕES PARA INICIADOS À MEDITAÇÃO





DISPONIBILIDADE TOTAL


Quando vos despertar a vontade de meditar devem arranjar disponibilidade total para dedicar a esse momento, o descomprometimento em relação a qualquer estímulo social é essencial. Se necessário, retirem o som dos telemóveis, informa todos os presentes que não deverás ser incomodada/o durante a próxima hora pois estás a meditar, coloca um aviso na porta, ou garante que onde te encontras estás isolado para este propósito.


Este será um momento sagrado em todos os seus aspectos, tudo o que não for essencial à meditação deverá ser deixado fora do local de meditação: telemóveis, chaves, carteiras, sapatos, enfim, todos aqueles objectos que fazem parte do mundo material e que poderão influenciar a tua atenção e concentração no desenrolar do processo. Com a prática perceberás que não só os bens materiais ficam de parte, como também qualquer ocupação mental ou emocional: os compromissos profissionais e sociais, os pensamentos, ambições, desejos e projecções, até mesmo a família.


LOCAL


Deves eleger ou dar preferência por um lugar de meditação que favoreça a sua prática e intensifique a sua acção. Um local no meio da Natureza é sempre favorável para meditar uma vez que o/a praticante mais facilmente se descomprometerá da sua acção em sociedade, a natureza não cobra nem compromete a atenção de quem medita. Tentar meditar inicialmente em locais movimentados será bastante perturbador e factor de distracção para o praticante, devem evitar os locais movimentados e com muita informação / confusão, e preferir sempre que possível um local protegido e tranquilo. O campo, as montanhas, a praia, um rio, um lago, uma árvore, uma queda de água são templos naturais para a prática da meditação. Aqui a energia encontra-se vibrante e pura, influenciando tudo em seu redor com esta vibração.


Se conseguirem encontrar um local onde a natureza se encontre salvaguardada, sem poluição e perturbação, adoptem um lugar neste local exclusivamente para meditar. Se não tiverem essa sorte do contacto directo com a natureza, não se desiludam pois poderás criar este local mesmo na tua casa, podes disponibilizar uma sala da habitação para a meditação, mas se não tiverem disponibilidade espacial para isso, podem sentar-se no vosso quarto e fechar os olhos, um canto na divisão servirá para o efeito, mas deve ser dedicado exclusivamente à meditação. Todas as acções desencadeiam a sua própria frequência vibracional, todas geram a sua própria energia, se dedicares este espaço à meditação, este absorve essas vibrações, e corresponderá progressivamente com a tua prática, quando te voltares a sentar lá estarás envolto nesta vibração.


Com a prática perceberás também que o verdadeiro templo da meditação é interior, é o estado natural do ser, a sua própria essência, o local de maior conforto que poderás encontrar será o teu próprio centro, a tua consciência, e nesse momento poderás meditar em qualquer lugar, no trabalho, na escola, no supermercado, no carro, na feira, na estação de comboio, porque estás centrado. O crescimento na prática é essencial, dia após dia após ano, como um ser vivo que se desenvolve: frágil no princípio como qualquer planta, cria animal ou criança que cresce e desenvolve integridade com a experiência e força e sabedoria para lidar com as exigências na vida.


CONFORTO


O conforto na postura que se adopta para a meditação é algo muito importante para o sucesso na prática. Se não conseguirmos garantir o conforto ao nosso corpo físico, será muito mais complicado atingir camadas muito mais profundas e sublimes do nosso ser, se a primeira porta para a meditação que é o conforto e estabilidade do corpo físico não for aberta, todas as outras portas permanecerão fechadas. Estar confortável com o seu corpo é a necessidade primordial do praticante que pretende aprofundar os seus êxtases interiores. Ao princípio não se recomenda a prática de posturas deitadas, pois a falta de prática na atenção e concentração do praticante poderão facilmente colocá-lo mesmo à vontade para fazer uma soneca, e este não é o propósito da meditação, apesar de o sono melhorar qualitativamente com a prática. Prefiram uma postura sentada, que lhes proporcione o conforto necessário para meditar, mas que ao mesmo tempo seja firme e estável, mantendo a coluna erecta para que o prána (energia no oxigénio) flua devidamente pelo corpo alimentando desta forma a relação do praticante com os seus corpos mais sublimes, de consciência mais intensificada. Por firme não entendam rigidez na postura, mas antes uma firmeza suave que lhes permita estar completamente atenta/o, completamente consciente. Tal como Patanjali refere nos Yoga Sútras: “Sthiram Sukham Ásanam”, postura firme mas confortável, percebam inicialmente se está firma para permanecerem nesta posição por um tempo, e depois garantam que será confortável para a prática, sem que as distracções do corpo não perturbem o bom funcionamento da prática.


COMO COMEÇAR


Tal como mencionei anteriormente, aos poucos o/a praticante vai ganhando percepção que a meditação é o seu estado natural, mas antes de estar consciente disso vai encontrar no seu caminho uma série de (des)informações, preocupações, perturbações, uma série de percalços enraizados na sua mente e na sua acção, e assim que começarem a tentar meditar estas vão manifestar-se causando algumas dificuldades iniciais.
Pela minha experiência pessoal, debati-me inicialmente com este “macaco solto na mente”, as ideias na cabeça que não sabia ao certo se era eu que as pensava se eram elas que me pensavam a mim, e até reconhecer verdadeiramente a essência da meditação experimentei as mais variadas técnicas tentando encontrar alguma/s forma/s de acalmar esta actividade interior para conseguir beneficiar da riqueza da meditação. Começar inicialmente com mentalizações forçando a concentração revelava-se infrutífero, pois existiam uma série de factores externos e internos que me distraiam da prática. Precisava de garantir o conforto e a tranquilidade essenciais há prática, e para garantir a realização de dhyána tinha que efectuar uma purificação, um kriyá , uma purga destes estímulos parasitas: as dores no corpo, o desconforto na postura, as perturbações ou pensamentos, os casos pendentes do quotidiano que afligiam a minha mente e emoção teriam de cessar. Ser persistente e estar disponível para aprender e aceitar o momento é o primeiro passo.
Como tal, vou fazer aqui referência à proposta de Osho para iniciar uma meditação, que ao longo do meu percurso na senda do conhecimento se revelou como um kriyá (técnica de realização) excelente para desconstruir os bloqueios iniciais do praticante: iniciar provocando a catarse.


Não começaremos sentados para não lidarmos com as perturbações que surgem, evitando desta forma frustrações, depressões, insatisfações desnecessárias por termos de alguma forma tentado interpretar conscientemente as manifestações que ocorrem inconscientemente. Vamos começar antes exactamente do ponto em que estamos, na postura exacta em que nos encontrarmos no momento em que decidimos meditar. O conhecimento adquirido pela meditação deve ser desenvolvido de forma progressiva e gradual.


Tentem perceber este paradoxo: se começar de uma forma tranquila e sossegada em silêncio desperta um turbilhão de sensações e pensamentos descontrolados, até loucos, iniciar por outro lado de forma frenética com actos tresloucados, começarão a ficar conscientes de um ponto mais subtil, um ponto no vosso interior que é silencioso e tranquilo. Começarão a sentir uma paz interior. Se se esforçarem para fazer algo que não seja natural, estarão a criar a dualidade, esforçando-se para suprimir a parte mais autêntica. Aquilo que acumulamos dentro de nós, que suprimimos no nosso interior, deve ser aceite e rejeitado das nossas acções, não suprimido. As demais emoções reprimidas ao longo da vida terão de ter o seu lugar. Se existe, tudo terá que ter o seu lugar, se não existe não tem lugar. Sentimentos como a fúria, raiva, avareza, violência, ciúme ou mesmo momentos de choro ou riso contidos terão de ser devidamente repostos na realidade para que não permaneçam suprimidos nas nossas camadas mais internas, no nosso vazio interior.


A catarse é a resposta para exteriorizar estes sentimentos de uma forma não-agressiva para o/a praticante, para qualquer ser com que este/a se relacione, e para o meio ambiente em que este/a se inserir. Tudo deverá ser lançado para o céu, para o espaço aberto, devolver a negatividade para a sua origem no vazio, sem estares consciente de qualquer objecto. Dancem descontroladamente, boicotem qualquer ritmo respiratório alterando entre profundo e ofegante, completamente arrítmico, gritem e saltem, rebolem e corram, parem de repente, chorem e riam se puderem, sem se concentrar em alguma ideia ou objecto, provocando este processo sem ordem, totalmente livre de método, entreguem-se totalmente a esta loucura saudável. Depois de dançarem e rejeitarem toda a negatividade que se manifestava, a prática de sentar surgirá naturalmente, e o silêncio interior e o conforto postural surgirão instantaneamente. Depois da catarse, algo de belo e profundo desperta em nós, uma beleza diferente, uma qualidade serena vem ao nosso encontro, acontece-nos.
Neste momento, os praticantes estão confortáveis e disponíveis para normalizar o fôlego, dar atenção ao movimento respiratório, e permanecendo tranquilos para dar início à técnica de meditação que se propuserem desenvolver.


3 FUNDAMENTOS BÁSICOS


Descontracção, observação, ausência de julgamento (não-dualidade). Estes são os fundamentos básicos para a realização de um estado meditativo, independentemente da técnica ou método adoptados.


A descontracção (no que toca ao estado do praticante) é conseguida pela ausência de conflito com a mente. Ao observar as projecções mentais o praticante depara-se com bastante informação processada inconscientemente. O ego, o nosso corpo identitário e regulador social, ao identificar-se com aquilo que a mente pensa transmite ao praticante: “eu sou aquilo que penso.” Perante a aparente falta de lógica processada no inconsciente, o ego desencadeia um processo de dualidade interior, a necessidade de lógica identitária levará o praticante a questionar e/ou negar a informação de que dispõe, criando o conflito entre a actividade mental consciente e a inconsciente. Para evitar o conflito, o praticante deve cessar qualquer tentativa de controlo da mente, aceitar todas as mentalizações que chegam desordenadas e aleatoriamente à mente estando consciente das armadilhas propostas pelo ego. Se tiver de haver alguma consciência presente, que seja a de que “eu não sou as ideias na minha mente, eu não sou aquilo que penso”, mas ainda melhor será permanecer sereno observando sem qualquer esforço a actividade mental, com total desapego desta não seguindo qualquer pensamento que ocorra, haver total ausência de concentração sobre qualquer objecto. A máxima presente é esta: ou estás concentrado/a em todos os objectos mentais conscientemente ao mesmo tempo, na aceitação e identificação total com o corpo mental (“eu sou Shiva”); ou não estás concentrado/a em objecto algum. Qualquer um destes paradoxos conduz ao estado de absoluto.


Quando o praticante decide seguir um dos pensamentos que ocorrem na mente começa a intelectualizar este objecto mental e a desenvolver relações de identificação com o mesmo, criando maior índice de actividade mental. Este tipo de observação unilateral, desenvolvido sobre um objecto limita a disponibilidade mental do praticante, mantendo-o concentrado e mentalmente ocupado sobre este objecto. Se este objecto não representar o conhecimento que o praticante procura reconhecer em si como sua verdadeira identidade total, a sua concentração estará de facto demasiado distraída para perceber quando se manifestará verdadeiramente a riqueza da meditação, o conhecimento de Si. Desta forma, a observação descontraída, descomprometida, desapegada ou mesmo desinteressada é o segundo princípio básico para a prática de dhyána (meditação). Não seguindo qualquer linha de pensamento, o praticante liberta-se da identificação com os objectos mentais, como quem passa na rua e vê as montras das lojas, com distanciamento, ou mesmo quando o sujeito mental é a/o própria/o praticante, esta/e deve ser entendido com o mesmo distanciamento: em vez de observarem um “eu” como actor/a da acção mental, observem um/a “ele” ou “ela”, uma terceira pessoa permitindo logo maior distanciamento. Sendo o/a observador/a derradeiro/a, a total e una consciência que observa toda a acção, qualquer processo de identificação pessoal cessará, não existem pessoas além do ser absoluto: eu, tu, ele/ela, nós vós, eles/elas são reabsorvidas no Ser.


Todo e qualquer acesso de dualidade têm também de terminar. Para meditar, é essencial que deixe de haver qualquer tipo de juízo ou normatização mental. Despeçam a polícia mental, a mente não tem de fazer sentido no que toca a libertar-se para meditar (ou vice versa: meditar para libertar-se)! Deixem que escorra todo e qualquer pensamento como o leito de um rio que corre, todos os rios vão dar ao mar e quando lá chegam o mar não recusa um só rio, aceita-os a todos. Por mais distante que a fonte de água esteja do mar, a água irá percorrer pelos caminhos mais acidentados, por cima e por dentro da terra, à volta ou através de montanhas rochosas bem densas, mas vai sempre chegar ao mar. Se querem mergulhar no mar imenso da meditação, deixem todos os pensamentos fluir livres até o mar, aceitem-nos a todos e libertem o grande oceano que é o Ser. A ausência de julgamentos é o terceiro princípio básico a qualquer forma de meditação.


SER DIVERTIDO


A meditação é entendida vulgarmente como algo muito sério, algo que é comum apenas para os monges ou religiosos, algo solitário e sisudo, não acessível a todos. Se vocês partilham deste ponto de vista então nunca conseguirão meditar. A meditação não é algo a ser forçado, deve ser natural, sem qualquer esforço. Abordar a prática de meditação com uma atitude alegre, jovial, descomprometida e divertida é estar disponível interiormente para meditar. Ao esquecer-se de como ser criança e de levar a vida a brincar, o ser afasta-se cada vez mais da meditação. A coisa mais séria da vida é nunca esquecer de brincar, se o ser esquece isto na sua vida deixa de existir alegria de viver. Na meditação temos de ser naturais, não forçar nada na nossa atitude, se temos de ser sérios, que sejamos tão sérios quanto para a brincadeira. Meditamos para ser eternamente jovens, espiritualmente jovens e divertidos.


SER PACIENTE


A meditação resulta da entrega e disponibilidade totais do/a praticante. Para isto, o factor “tempo” tem de ser rejeitado. Não existe um tempo exacto e apropriado para a meditação começar a surtir efeito através de qualquer técnica. O tempo apresentado nos diferentes métodos de meditação garantem somente que cada técnica é aplicada gradualmente criando predisposição no/a praticante para que este consiga abstrair-se das distracções externas ou internas, mas para que o efeito da meditação se manifeste depende realmente da capacidade de entrega total do/a praticante. Devemos aprender a discernir a energia da acção que pretendemos realizar: a iccá (energia da vontade, a primeira das três Shákti / energias de Shiva) manifesta em nós para realizar qualquer acção, neste caso a meditação, até ganhar forma e atingir o seu objectivo, traduzir-se-á em diferentes formas de energia de acção. Uma das demais formas que aqui abordaremos é a ânsia, que não devemos confundir com ansiedade. A ânsia é a energia que surge pela vontade expressa de dar forma à criação. Numa linguagem clínica, podemos dizer que é uma sobreactivação química do sistema nervoso e sensorial como resposta a um estado de espírito / energético, produzindo uma reacção extraordinária sobre os corpos psico-fisiológico-emocional, um stress positivo, um ímpeto para alcançar os objectivos da acção que nos propomos realizar. Com a ânsia pode manifestar-se também a impaciência, e esta já pode representar um obstáculo à meditação ou a qualquer outra acção. A impaciência exige resultados e se estes não forem alcançados gera conflitos ao praticante. Não seguindo a direcção pretendida, a energia irá bloquear e eventualmente gastar-se de forma não desejada. Então, a ansiedade, por sua vez é um estado de influência negativa com marcas surtidas no/a praticante, sintomas característicos como a aceleração e arritmia cardíaca, a respiração irregular, o descontrolo hormonal, a falta de vitalidade e o cansaço físico, a intensa actividade ou bloqueio mental. A ânsia revela sintomas positivos, a predisposição e pró-activismo para a realização da acção através de respostas de activação muscular, capacidade de raciocínio e discernimento, concentração objectiva e sobre-activação energética; a ansiedade é o conflito desgastante. Dar tempo para ver os projectos crescerem, tal como as sementes que viram árvores ou as crianças que se tornam adultas, tudo tem o seu ritmo natural, não pode ser forçado. Não pode ser sempre Primavera nem Verão, teremos de passar sempre pelo Outono e pelo Inverno. Mas podem contar que virá sempre uma nova Primavera e um novo Verão. Sê paciente, não procures objectivos, pois aquilo que procuras já está em ti, só tens que limpar as camadas superiores mais grossas e poluídas para começar a poder perceber as camadas mais subtis que se revelam por debaixo.


Vou contar-vos a estória do escultor: um escultor admirava uma grande rocha maciça, esta encontrava-se no seu atelier aberto para a praça pública, desta forma toda a população partilhava da arte que este homem tinha para oferecer à comunidade. Durante horas a fio, o escultor apreciava aquela pedra magnânima, de ferramentas pousadas, escopro e maço bem urdidos do trabalho, caminhava em seu redor observando-a, por vezes senta-se e ficava somente a contemplá-la, atravessava a pedra intensamente com o seu olhar. Um homem bem embalado pelo álcool que passava na praça reparou no escultor e na sua admiração sobre a rocha. Tropeçando e balbuciando palavras soltas entre soluços, aproximou-se do escultor e disse-lhe: “Ó escultor, escuta lá… explica-me lá uma coisa para ver se eu consigo compreender isto. A mim, que não trabalho e nem quero, e passo os dias na companhia da minha querida garrafa, chamam-me de vadio e preguiçoso… mas não serás tu maior vadio e preguiçoso, que dizes que és escultor e passas aí o dia sem fazer nada a olhar para uma pedra? Trata mas é de trabalhar e começa a fazer a estátua, se é que és mesmo um escultor a sério!”. O escultor interrompeu a sua contemplação para responder ao homem: “Ó homem, eu não o censuro por ser quem é nem ajuízo a vida que leva, pois se assim for feliz eu fico feliz por si também, mas vou ter que censurar a sua ignorância para ver se o ajudo a ser mais feliz sem esta. Eu estou para aqui a contemplar a rocha porque a estátua já está feita. Está feita e é belíssima na sua essência, esta reside no seu interior. Como escultor, eu só tenho de perceber o excesso de rocha em seu redor e removê-lo para pôr a descoberto a estátua linda que está lá dentro. A estátua já está feita!”. Sejam pacientes e perceberão que a mais linda arte já está pronta, a meditação já existe em vós, entreguem-se com desprendimento à prática da meditação e deixem-na pacientemente manifestar-se.


REJEITAR A EXPECTATIVA


A expectativa resulta do facto da mente focar única e exclusivamente o resultado da acção, não se importando devidamente com o processo, mas mais com o resultado que poderá advir do seu esforço e empenho. Se a mente for capaz de atingir os objectivos sem ter de realizar qualquer acção, ela empreenderá sempre por esta alternativa. Esta habilidade adquire-se com a educação que temos, somos ensinados para ser espertos, para minimizar o processo de custo e obter o máximo de resultados. Somos treinados para vencer na vida por qualquer meio, se for legal ainda melhor que levamos uma vida inteira a render resultados com o menor trabalho possível, mas se for ilegal então ainda melhor, podemos viver do tráfico, contrabando, jogo, etc. Agora sendo dirigente políticos, presidentes e ministros, aí temos todos os atalhos à nossa disposição, todas as manobras legais e ilegais ao nosso dispor porque somos nós quem fazemos a lei. A hierarquia mede-se em termos de esperteza e influência, quanto mais esperto, mais atalhos, mais “cunhas”… Mesmo nas classes mais baixas da sociedade a esperteza se manifesta de maneira a colocar-nos sempre um pouco mais acima na hierarquia, mais confortável e menos dependente, “se eu puder alimentar-me a mim e aos meu sem mexer uma palha, eu vou por esse caminho”. Agora, se o vosso propósito é meditar esqueçam por completo qualquer atalho para a meditação milagrosa e revitalizante dos 5 minutos com resultados garantidos. Não há atalhos para a meditação, nem expectativas acertadas, ela se manifestará apenas quando a disponibilidade for total, e para isso não há fórmulas exactas, apenas autenticidade.


ESTAR CONSCIENTE E INCONSCIENTE


As realidades que criamos cada dia não são outra coisa além do manifesto do subconsciente tornado consciente, produtos seleccionados na matriz subconsciente (ou inconsciente), retalhos extraídos de sonhos filtrados pela personalidade individual e egóica, que se tornam conscientes quando os tornamos reais e concretos na nossa acção diária. Desta forma, consciência e inconsciência são dois extremos de um mesmo plano, interdependentes e indissociáveis. Estar consciente é realizar o inconsciente, estar inconsciente é relaxar o consciente, inconsciência sem consciência resulta em não-realização, consciência sem inconsciência resulta em tensão. Se estivermos sempre acordados, quantos dias podemos aguentar vivos? E se estivermos sempre a dormir, será que estamos de facto vivos? Tal como a seguir ao dia vem a noite para que a vida possa repousar e acordar para um novo dia novamente fresca, também a energia tem de passar por estados de acção para descontracção. Isto também acontece na meditação: por momentos estás perfeitamente consciente, e de seguida podes estar totalmente repousado, paz total, a consciência desaparece e tu esqueces. Não há nada de errado nisso, pois através da inconsciência a consciência emerge de novo. É importante desfrutar de ambas, não ser nem a consciência nem a inconsciência, mas a derradeira testemunha de todo o processo.


Tal como a felicidade e a tristeza, deves desfrutar de ambas pois ambas têm a sua própria riqueza: a felicidade é rente, superficial, efusiva, manifesta-se à superfície do ser; a tristeza é profunda, silenciosa. Desfruta das duas para perceber quão diferentes são as aprendizagens que advém de ambas, mas mantém o mesmo distanciamento contemplativo, lembra-te sempre que és o o/a observador/a e que não és nem a felicidade nem a tristeza. Sê inconsciente e contempla a inconsciência; sê consciente e contempla a consciência.


O OBSERVADOR NÃO É A EXPERIÊNCIA OBSERVADA


Independência é a palavra-chave neste aspecto, independentemente da experiência que se obtenha através da viagem interior que é a meditação, tu não és as imagens que mentalizas, tu não és os pensamentos que ocorrem à mente, tu não és sequer a ausência de qualquer actividade sensorial e mental, tu és aquele/a que testemunha a experiência. “A iluminação não é uma experiência. É o estado em que és deixado absolutamente só, sem nada para conhecer. (…) Só nesse momento é que a tua consciência desobstruída por qualquer objecto, dá meia volta e regressa à fonte.” (Osho, Meditação – A Primeira e Última Liberdade).


O OBSERVADOR NÃO É A TESTEMUNHA


Um aspecto que pode gerar alguma confusão aos praticantes é pensar que o observador é a testemunha da experiência. Observador e observado são dois aspectos diferentes da testemunha, nenhum deles considerados em separado do outro representa de alguma forma a testemunha, nenhum deles é um todo, o objecto observado é o próprio observador e a inter-relação entre os dois manifesta a testemunha. O observador é subjectivo, exterior ao objecto que é observado; o observado é objectivo, é a experiência observada. São o interior e o exterior da testemunha, e a testemunha é total. A testemunha resulta da fusão entre observador e observado, onde os dois são uma e a mesma coisa, sem distanciamento entre estes. É algo que se pode praticar facilmente com um objecto na natureza, uma flor, o sol, uma montanha, e mergulhar profundamente no objecto observado, amá-lo intensamente até um tornar-se no outro e os dois num só: eu sou uma flor, sou o sol, sol sol sol sou sou sou… SER. E testemunhar.


A MEDITAÇÃO É UM DOM


A meditação é algo tão transcendente que pode ser entendido nos mais diversos campos, da ciência à arte ou aos dons da humanidade. Como ciência ela implica o desenvolvimento de técnicas, trabalhadas e estudadas para atingir propósitos específicos. No entanto, a meditação é algo que diz respeito ao coração e não à mente pois a um certo ponto a actividade nesta cessa, e nesta medida distancia-se mais das actividades científicas para se aproximar mais de expressões como a pintura, a dança, a música ou a poesia, e desta forma permeia os campos da arte. A meditação é também um mistério, é como um dom, ou o tens ou não tens, ou se manifesta ou não se manifesta, é algo que transcende os limites da compreensão humana. Se fosse mesmo uma arte ou uma ciência, seria mais fácil atingir resultados, seria mais fácil ensinar e aprender, mas como é um dom é algo que se desenvolve aos poucos, temos de tentar, com um pequeno esforço inicial, até que o esforço desaparece de todo e a meditação torna-se natural como nas crianças, voltamos a ser crianças. Este é o verdadeiro dom que reside em todos nós.


Estas sugestões foram adaptadas do livro do Osho - Meditação: A Primeira e Última Liberdade, e foram enriquecidas com a minha experiência e contributo pessoal.

sábado, 25 de julho de 2009

PATAÑJALI E O YOGA

PATAÑJALI E O YOGA





Desde a época das Upanishads (primeira grande corrente filosófica da Índia, o berço dos Vedas), a índia só esteve verdadeiramente preocupada com um único tema: a estrutura da condição humana, a análise rigorosa dos diversos condicionamentos do ser humano. Não procuraram chegar a uma explicação precisa e coerente do homem (como se processou no ocidente no séc. XIX com base nos condicionamentos hereditários e sociais) mas antes perceber até onde se estendiam as zonas condicionadas do ser humano e ver se existiria alguma coisa para além desses condicionamentos.



Os grandes obstáculos à vida ascética (devota, iluminada, sagrada) e contemplativa provinham da actividade do inconsciente, dos “samskâra” e dos “vâsanâ” (impregnações, resíduos, latências) que se designam por conteúdos e estruturas do inconsciente. O importante para o conhecimento não era conhecer estas latências, mas dominá-las, trabalhar sobre os conteúdos do inconsciente para os “queimar” (sublimar). “Os obstáculos (ao samádhi/iluminação) são: a incultura, o egoísmo, a exaltação das paixões, a aversão injustificada e o excessivo apego à vida”(Yoga Sútra, 2,3). As expressões de apego são denominadas kleshas (fontes de angústia) pois estas resultam em todos os casos no acumular de vivências aflitivas. Somente com a libertação desses kleshas é que o yoguin pode interromper a corrente kármica (a lei da acção e reacção) e libertar-se além da condição humana. “O resíduo kármico tem ou é acompanhado por tendências e disposições (samskâra) de vários tipos, incluindo no mínimo dois tipos de vestígios (vâsanâ), um dos quais, se e quando activado produz uma recordação da acção originadora, e outro que, se e quando activado produz certas aflições (kleshas). Estes kleshas são concepções erróneas que caracterizam o pensamento daqueles que estão envolvidos em actividades intencionais e são elas as responsáveis pelo facto da pessoa estar em cativeiro, isto é, estar continuamente a produzir resíduos kármicos.” (Potter, Karl. Karma and Rebirth in Classical Indian Tradition, 1980, Berkeley).



Patãnjali descobriu cinco matrizes produtoras de estados psicomentais (citta vritti): a standardização ou o idealizável (prámana); a concepção errónea (viparyaya); a imaginação sem base factual (vikalpa); o sono e a ausência de ideias e experiências (nidrá); e a memória (smrti).


Patañjali enumera de seguida as cinco causas para que as cittavrtti causem sofrimento, aflições (kleshas): a ignorância (avidyá); o sentimento de individualidade (asmitá); a paixão e o apego (rága); o aborrecimento, a aversão (dvesha); e o amor pela vida, vontade de viver, e o medo da morte (abhinivesha) (Yoga Sútra 2,3 e o comentário de Vyása).


Todos os vrittis produzem sofrimento, aflições (kleshas), a vida humana na sua totalidade é dolorosa.
Patañjali descreve os vásaná como “sensações subconscientes específicas”. Estes alimentam sem cessar o fluxo psicomental, a série infinita dos cittavritti. São inapreensíveis, difíceis de controlar e dominar, a “potencialidade” carateriza a sua dinâmica e obriga-os a manifestarem-se e a actualizarem-se sob a forma de actos de consciência. “Os vásaná têm origem na memória” (Vyása), a vida é uma descarga contínua de vásaná que se manifestam através dos vritti. Os vásana transmitem-se hereditariamente, historicamente e etnicamente, de geração em geração, pela linguagem, costumes e cultura, ou transmigração kármica.
Torna-se inútil tentar modificar os estados de consciência (cittavritti) enquanto não se controlarem e dominarem as latências psicomentais (vásaná), é indispensável cortar-se o circuito subconsciente-consciente, e é o corte deste fluxo que as técnicas yoguicas se propõem a fazer, aniquilar o fluxo psicomental. As latências querem sair à luz, actualizar-se, tornar-se estados de consciência. A resistência que o subconsciente opõe a todo o acto de renúncia ou de iluminação é o sinal do medo sentido por este (subconsciente) que as latências (vásaná) ainda não manifestadas possam falhar o seu destino, ser aniquiladas antes de terem tido tempo de emergir e actualizar-se.


O Yoga ilumina o circuito que une consciente e subconsciente, considerando o subconsciente a matriz e receptáculo de toda a acção, gestos e intenções egoístas, dominado pela “sede do fruto”, pelo desejo de auto-satisfação, de saciedade, de multiplicação. Tudo o que quer manifestar-se, ter uma forma, mostrar o seu poder, definir a sua individualidade, vem do subconsciente e ao subconsciente regressa (graças às “sementes” kármicas, vásaná).


Uma das maiores descobertas da Índia é a “consciência-testemunha”, a consciência desvinculada das suas estruturas psicofisiológicas e do condicionamento temporal, a consciência do “libertado” (ou liberado), entenda-se como aquele que conseguiu desligar-se da temporalidade e conhece portanto a verdadeira e inefável liberdade. A conquista dessa liberdade absoluta constitui o objectivo de todas as filosofias e técnicas místicas indianas, mas foi sobretudo através de uma das múltiplas formas de yoga que a Índia acreditou poder assegurá-la.


Chitta Viksepa – As Distracções e Obstáculos do Yoguin


Patañjali focou ainda as distracções e obstáculos (chitta viksepa) que prejudicam e perturbam o sucesso na prática do aspirante a yoguin. Estes são: vyádhi (doença que perturba o equilíbrio do corpo físico); styána (falta de disposição mental para trabalhar); samshaya (dúvida ou indecisão); pramáda (indiferença ou insensibilidade); alásya (preguiça); avirati (sensualidade, quando o desejo possui a mente); bhránti dárshana (conhecimento inválido, ilusório); alabdha bhúmikatva (falta de concentração ou de linearidade mental de forma que a realidade não é perceptível); anavasthitattva (instabilidade em permanecer focado após prática continuada).


No entanto, existem ainda mais quatro distracções: dukha (dor ou miséria); daurmansya (desespero); angamejayatva (falta de estabilidade e firmeza física); shvása prashvása (respiração irregular).


A Dor Universal


Qualquer sistema de pensamento (dárshana) pós-Upanishads encontra a sua razão de ser, o seu foco no sofrimento universal. O seu valor reside na capacidade que têm de libertar o homem da “dor”. A experiência humana, seja de que natureza for, gera sofrimento: “O corpo é dor, porque é o lugar da dor; os sentidos, os objectos, as percepções são sofrimento, porque conduzem ao sofrimento; o próprio prazer é sofrimento porque é seguido de sofrimento.”(Anirudha, nos comentários aos Sâmhkya Sútras, 2,1).


Qualquer dárshana expressa o desejo do Homem de escapar à tríplice miséria: o sofrimento celeste (provocado por acção divina, que escapa ao controle do Homem: desastres naturais, tempestades, furacões, tsunamis, etc.); o sofrimento terrestre (causado pela natureza, pela acção do homem e dos intervenientes naturais, a guerra, a falta de alimento, as más gestões políticas e sociais que influenciam toda a Humanidade, ou até as picadas de mosquito, as mordidas de cobras, etc.); e o sofrimento interior ou orgânico (a doença, a instabilidade mental, emocional e/ou energética, etc.).


No entanto, perante este cenário pouco atraente verifica-se que nenhuma filosofia indiana conduz ao desespero, mas o sofrimento é considerado como condição sine qua none para a libertação, tendo assim um valor estimulante e positivo. O sofrimento não é algo que esteja apenas relacionada com o homem, mas antes como uma necessidade cósmica, o simples facto de existir no tempo, de durar (esta realidade efémera é entendida como devir) implica sofrimento. Agora, ao contrário de todos os outros seres, o homem tem a capacidade de transcender efectivamente a sua condição e abolir o sofrimento.


A miséria da vida humana não advém de nenhum castigo divino nem de um pecado original, mas sim da ignorância, não qualquer ignorância, mas a ignorância da verdadeira natureza do espírito, a ignorância que nos leva a confundir o espírito com a experiência psicomental, resumindo, uma ignorância de ordem metafísica.



O Ser, o Si, o Espírito





O Ser ou Espírito (purusha) é uma realidade única, universal e eterna, dramaticamente implicada na ilusão temporal da Criação (máyá). O purusha é o catalisador químico de todo o conhecimento e existência, é o substrato: “aquilo que não se poderia ver, mas pelo que as visões são vistas; aquilo que o pensamento não poderia pensar, mas graças ao qual o pensamento pensa; aquilo por que tudo se manifesta e que por nada é manifestado.”(Kena Upanishad, 1,5-6). Purusha é absoluto, irredutível, autónomo e impassível, desprovido de atributos, qualidades ou desejos. Purusha é eternamente livre: “Purusha é aquele que não pode nascer nem ser destruído, que não é escravizado nem activo, que não está sedento de liberdade nem libertado.” (Gaudapáda, Mándúkhya Káriká, 2,32 – comentário da Mándúkhya Upanishad).


Esta concepção levanta uma dúvida: então se o espírito é eterno, indissociável, como pode este associar-se a algo como a experiência psicomental, e todos os seus dramas e sofrimentos? Como é possível tamanha relação? Tanto o Sâmkhya como o Yoga consideram este problema insolúvel, porque ultrapassa a capacidade da compreensão humana. Uma vez que o intelecto (buddhi) não é mais do que um produto refinado da prakrti (natureza, vida), a inteligência humana não pode interpretar ou conceber outro tipo de fenómenos que não os que como ela façam parte da série infinita de criações da massa primordial (prakrti). Para se ter conhecimento de causa acerca de algo transcendente à vida teria de se ter ao dispor um instrumento de conhecimento que transcendesse também a condição humana.


Querer encontrar uma solução histórica para algo que não tem princípio nem fim não somente será inútil como é de todo uma infantilidade. Os estados de consciência são produto da prakrti e não podem manter qualquer relação com o espírito pois este está por natureza acima (ou desapegado) de qualquer experiência. No entanto, a parte mais subtil e transparente da vida mental, o intelecto (buddhi) na sua forma de pura luminosidade (sattva)tem uma qualidade específica: a de reflectir o espírito.
A compreensão do mundo exterior é possível graças à reflexão do purusha na inteligência, mas o purusha não é semelhante nem diferente dela: não é semelhante à inteligência porque não é modificado pelo conhecimento sempre mutável dos objectos, o espírito dispõe de um conhecimento ininterrupto, ele é de certa forma, O Conhecimento; e não é totalmente diferente de buddhi (conhecimento) porque embora sendo puro, conhece o conhecimento. “Assim como uma flor se reflecte num cristal, a inteligência reflecte o purusha” (Yoga Sútra, 1,41). Seria ignorância atribuir ao cristal as qualidades da flor (forma, dimensões, cores). Quando a flor se move, a sua imagem move-se no cristal, apesar deste permanecer imóvel. É uma ilusão pensar que o espírito é dinâmico só porque a experiência mental o é. Na realidade trata-se de uma situação ilusória, uma correspondência simpática entre o Si e o intelecto.
“Quem conhece o átman atravessa o oceano do sofrimento” (Chândogya Upanishad, 7, 1, 3). A primeira etapa da conquista do conhecimento consiste em negar que o espírito tenha qualquer atributo. Dizer e pensar “eu quero”, “eu sofro”, “eu conheço”, e pensar que esse “eu” se refere ao espírito é viver na ilusão e prolongá-la. Desencadeia-se uma força determinada ou semeia-se outra, cria-se um “momento” no circuito da energia cósmica, que supostamente é eterna e ininterrupta, criam-se os elos kármicos. A partir do momento em que compreendemos que o Si é livre, eterno e inactivo, a dor e os sentimentos, desejos e pensamentos já não nos pertencem, são anulados, perdem o seu valor. O valor destes é real, mas esta realidade não tem nada em comum com o purusha.


O conhecimento é um despertar que revela a essência do Si, não produz nada, mas revela de forma imediata a realidade. Tal conhecimento verdadeiro e absoluto não deve ser confundido com a actividade intelectual, de essência psicológica, não se obtém pela experiência, mas pela revelação.


A Substância e a Estrutura


A substância primordial (prakrti ou prakriti), a natureza real, dinâmica e criativa possui três formas de ser, que se conhecem como gunas (os três são conhecidos como triguna). Estes permitem a natureza manifestar-se de três formas diferentes: sattva (modalidade da luminosidade e da inteligência); rajas (modalidade da energia motora da actividade mental); e tamas (modalidade da inércia estática e obscuridade psíquica). Os gunas e a prakrti são uma e a mesma coisa, não se dão em separado, em todos os fenómenos físicos, biológicos ou psicomentais eles existem os três simultaneamente, embora em proporções desiguais. É esta desigualdade que permite o aparecimento de fenómenos, seja qual for a sua natureza., caso contrário toda a existência seria eterna. Os gunas têm um carácter duplo: podem ser interpretados num sentido objectivo, constituindo fenómenos do mundo externo; como subjectivo, constituindo fenómenos do mundo interior, psicomental.


A prakrti apresenta-se na sua origem como uma massa energética denominada mahat (o grande). Arrastada pelo impulso da evolução, a prakrti passa do estado de mahat para o ahamkâra (o ego, desprovida de experiência pessoal mas possuindo a consciência obscura de ser um ego). Daqui a prakrti evolui em duas direcções opostas, o objectivo e o subjectivo: quando o equilíbrio é dominado por sattva, desenvolvem-se os sentidos cognoscitivos (jñanendriya: visão, olfacto, audição, paladar e tacto) e a mente (manas), servindo este último de elo entre a actividade perceptiva e a actividade biomotora; quando o equilíbrio é dominado por rajas, desenvolvem-se os sentidos conativos (karmendriya: palavra, prazer, aprendizagem, locomoção, excreção); quando o equilíbrio é dominado por tamas, desenvolvem-se os cinco elementos primordiais (tanmâtra: éter, ar, água, fogo, terra), os núcleos genéticos do mundo físico. Destes tanmâtra derivam os átomos e moléculas que dão origem aos organismos vegetais e animais.


Desta forma, o corpo do homem, os estados de consciência e a inteligência são frutos de uma única e mesma substância. Os gunas impregnam todo o universo e estabelecem uma simpatia orgânica entre a humanidade e o Cosmos, sendo estas duas entidades penetradas pelo mesmo sofrimento existencial e servindo ambas o mesmo espírito absoluto, estranho ao mundo e determinado por um destino ininteligível à condição humana. De facto, a diferença entre o Cosmos e o Homem é apenas uma diferença de grau e não de essência.



Moksha, Samádhi, Nirvana – Significado da Libertação





Com efeito, a libertação (moksha) não é mais que a tomada de consciência de uma situação pré-existente, é na verdade uma libertação da ideia do mal e da dor que advém da ignorância. O sofrimento extingue-se a si mesmo a partir do momento em que compreendemos que este é exterior ao espírito e que só diz respeito à personalidade humana, a partir deste momento deixam de se criar novos núcleos kármicos. Quando o homem se liberta da sua personalidade condicionada pela efemeridade natural, pelo medo do fim e da morte, pelo apego à vida e aos bens materiais e aos frutos da acção, e deixa de ser o actor da sua vida para passar a ser um instrumento da acção absoluta, este elimina o sofrimento da sua existência pois passa a viver em pleno a sua consciência cósmica.


Estas soluções que passam pelo desapego psicomental, emocional e experiencial podem parecer pessimistas ao homem ocidental para quem a personalidade é o pilar basilar de toda a moral em sociedade, mas uma vez que a personalidade é a responsável pela produção do sofrimento e do drama humano, para a obtenção da libertação absoluta a personalidade deverá ser sacrificada. O libertado em vida pode estender a sua esfera de acção tanto quanto desejar pois ele já não age como um “eu-próprio”, mas como um simples instrumento impessoal do Si. A libertação não elimina a dor, ela apenas nega a sua existência como parte do espírito, o sofrimento permanece pois é um facto cósmico, mas perde o seu significado.


A esperança prolonga e agrava até a miséria humana, só é feliz aquele que perdeu toda a esperança: “Porque a esperança é a maior das torturas que existe, e o desespero a maior das felicidades” (Mahábhárata, citado pelo comentador Mahadeva Vedántin em Sâmkhya Sútra, 4, 2).


Patañjali, o autor dos Yoga Sútras


Os Yoga-Sútra consistem em 4 capítulos, ou livros (páda): o primeiro, com 51 aforismos (sútra), é o capítulo sobre o êxtase yoguico, o trilho da hiperconsciência (Samádhipádah); o segundo, com 55 aforismos denomina-se de Sádhanapádah (capítulo da realização/prática); o terceiro de 55 sútras trata dos poderes maravilhosos (Vibhútipádah); e o quarto e último, o Kaivalyapádah (capítulo da libertação/isolamento), com 34 sútras que retratam questões já desenvolvidas nos capítulos anteriores.


Quanto ao autor, Patañjali, nada se sabe de concreto acerca dele, não se sabe sequer se viveu no séc.II A.C., no III ou mesmo no V da nossa era. Alguns comentadores indianos identificam-no como Patañjali o gramático, que viveu no séc. II A.C., autor do Grande Comentário Mahábháshya sobre o clássico de gramática escrito por Pánini. Outros autores referem-no como Patañjali o médico, autor do tratado Charaka Samhitá sobre medicina ayurvédica, que teria vivido séc.III desta era, e alguns ocidentais afirmam que ele terá vivido por volta do ano 400 D.C.. De qualquer forma, esta polémica é irrelevante pois o seu mérito é reconhecido por ele ter sistematizado um conhecimento anterior a ele com muitos milhares de anos, que até então tinha vindo a ser transmitido de geração em geração através do sistema chamado parámpará (tradição oral). O que importa verdadeiramente é que a mensagem dos yoguis da antiguidade continua a ser transmitida nos dias de hoje graças a Patañjali.


Ashtanga Yoga – Os Oito Membros do Yoga


Patañjali estruturou nos Yoga Sútra um sistema de yoga com 8 membros bem definidos, os quais passaremos a apresentar:


1.YAMA
Controle ou Domínio. Prescrições universais. Este aborda-se no início da prática, são prescrições éticas, refreamentos que pretendem purificar o yoguin na sua mente e emoção, na sua postura e acção, eliminando a subjectividade que se manifesta do egocentrismo, preparando o yoguin para os estágios/membros seguintes no Yoga.
São cinco as prescrições, mas todas elas conduzirão sempre à primeira aqui apresentada, sob qualquer forma: ahimsá (não violência); satya (verdade); asteya (não roubar); bramacharya (não desvirtuar a sexualidade); aparigraha (não possuir).
Os yamas desempenham o controle dos impulsos naturais que se manifestam através dos cinco karmendriya (órgãos de acção): braços (páni ou bahu) e mãos (hasta), pernas e pés (pada), boca (vak), órgãos sexuais (upashta: yoni na mulher, e linga no homem)e órgãos excretores (páyu).


Ahimsá, a não violência, entende-se como não matar, não agredir nem causar qualquer tipo de dor ou violência (seja esta de natureza física, psicomental, ou emocional) a si mesmo, ao próximo ou a qualquer ser vivo, humanos, animais ou plantas. Os outros quatro yamas são consequências naturais da não violência.


Satya, a verdade, consiste em fazer coincidir pensamentos, palavras e acções, evitando a falsidade e a mentira em todas as suas formas, nas suas relações com o próximo e consigo mesmo. Um consegue enganar quem quiser, só não consegue enganar a sua própria consciência. Falar a verdade é agir em nome do amor compassivo ao próximo, faltar com a verdade hipocritamente a quem desta necessita, é enganar, ferir, violentar subtilmente alguém que precisa da verdade. No entanto existem verdades que podem magoar o próximo por serem expressas sem caridade ou por terem um propósito sórdido, como por exemplo alguém que procura vingar-se de outra pessoa punindo-a fisicamente e pergunta-nos se a vimos passar ou sabemos onde se encontra, nestas situações a verdade deve ser sacrificada pela manutenção do bem-estar e de ahimsá, a não violência. Sacrifica-se a verdade pela entronização do amor compassivo.


Asteya, não roubar, não cobiçar ou invejar bens ou conquistas do próximo. Passa não somente por não roubar, mas por eliminar totalmente o impulso de apoderar-se de objectos, existências, ideias prestígio ou mérito alheios. Qualquer furto é himsá, violência, pois causa dano à vítima. Os lucros excessivos são também agressões e constituem violência, pois aquele que acumula e se apropria indevidamente de qualquer valor, tirando-o desonestamente dos demais, seja pelo roubo directo ou por estratégias mais ardilosas para obtenção fácil e rápida de lucros desmedidos que desequilibram a balança das necessidades humanas. Se a humanidade não se tentasse apoderar daquilo que é de todos, haveria bastante para cada um de nós viver.


Bramacharya, o não desvirtuar a sexualidade, pode ser interpretado como total e absoluta abstinência do acto sexual, ou a não dissipação da energia sexual através do orgasmo, sendo económico quanto à excreção do sémen. Em ambos casos pretende-se por meios distintos conter a energia vital e geradora, a fim de preservá-la para a sua evolução no sádhana (prática) e na vida em geral. Desviar-se desta prescrição é manter o abuso, a exploração, a aberração, a degradação, a poluição sexual não só no físico, mas na mente e na emoção. Isto é uma forma degradante de violência sobre si mesmo ou sobre o próximo. O sexo é algo divino, potencia a criação, a sua energia é a expressão da energia divina (shákti), portanto brahmacharya não significa a repressão do divino mas sim o encontro do caminho (acharya) para o divino (brahma). Poupar no orgasmo para ganhar na concentração das ojas shákti (energias mentais, espirituais).


Aparigraha, a não possessividade, traduz-se como generosidade e desapego em relação aos bens materiais, às relações afectivas e emocionais, de uma forma geral, desapego aos frutos da acção. È outra das formas de asteya, não roubar, não tomar como seus os frutos da acção. Ao observar este yama, o yoguin simplifica ao máximo a sua vida, e tudo aquilo que ele necessita realmente vem ter a si a seu tempo. O praticante desenvolve a capacidade de permanecer satisfeito com aquilo que lhe acontece no seu dia-a-dia. Apegar-se aos objectos da mente ou das relações, querer possuir ou controlar os objectos exteriores, as relações ou o próximo é uma forma de violência sobre si mesmo e sobre outrem, é reforçar a ilusão da posse.


2. NYAMA
As prescrições psicofísicas, a conduta individual do yoguin. Estes cumprem a função de domínio sobre os cinco órgãos da percepção (jñanendriya): olhos (chakshu), ouvidos (shrotra), nariz (ghrána), língua (rasana) e pele (spárshana). O controlo sobre os sentidos conduz à organização da vida pessoal do praticante. As prescrições compreendem 5 disciplinas: sauchan (purificação); santosha (contentamento); tapas (austeridade ou esforço sobre si próprio); swádhyáya (estudo de si próprio e da metafísica do yoga); e íshvara pranidhána, a consagração a íshvara, o arquétipo do yoguin perfeito.


Sauchan, a purificação, inclui a realização de diversas técnicas de purificação interna e externa, que dão ao yoguin um estado de limpeza dos elementos do corpo físico denso (bhúta shuddhi). Sauchan é também a eliminação das impurezas do pensamento e da emoção. Uma pessoa que se alimente de animais, especialmente carnes, e que tenha situações de prisão de ventre, encontra-se internamente intoxicada, tenderá mais facilmente a ter tendências bruscas ou agressivas por ter no seu corpo toxinas que são próprias às espécies animais que dependem da agressividade para bem da sua existência. A purificação conduz assim também á não violência.


Santosha, o contentamento, consiste em cultivar um estado interior de permanente alegria, independentemente de factores externos. Esta atitude potenciará bastante o progresso da prática. Uma mente que não está contente não se consegue concentrar ou realizar. Uma pessoa contente é uma pessoa pacífica e paciente, livre da insegurança, da ansiedade, da inveja, da auto-aflição de violência física e psíquica. Estar contente implica menos uma pessoa violenta na sociedade.


Tapas é o calor, ascese, determinação, austeridade, força de vontade e esforço sobre si próprio: “Tapas produz a destruição das impurezas, o que conduz ao aperfeiçoamento da sensibilidade corporal” (Yoga Sútra, 2, 43). O objectivo desta disciplina é proporcionar um estado de purificação que permite ao praticante ter o controlo do seu corpo, romper com os limites impostos pela percepção limitada da realidade. Um praticante de tapas desenvolverá uma resistência que o fortifica para lidar com as maiores dificuldades da vida, tornando-se forte e destemido, e queimando também os seus desejos, o seu egoísmo, ambições ou fraquezas, tornando-o compassivo e tolerante, pacífico. Os tapas podem ser de 3 ordens: do corpo, purificação e extermínio das impurezas; da fala, pelo uso de palavras não ofensivas nem agressivas, preferindo um discurso compassivo e amoroso, falar sobre o conhecimento que produz a ascese; e mental, quando o yoguin permanece tranquilo e contente, rejubilado no equilíbrio e controlo da sua mente.


Swádhyáya é o estudo sobre si mesmo e sobre a metafísica do yoga, abrange o autoconhecimento através da reflexão sobre a sabedoria das escrituras, a aplicação prática desse conhecimento e a observação atenta da mesma. Alarga os horizontes do intelecto e estimula a prática das técnicas. Este é um processo de auto-educação, onde o professor e o aluno são unos na mente e partilham de amor e respeito mútuos. O conhecimento entra directamente na corrente sanguínea e passa a fazer parte da vida do ser. Quem o pratica lê e escreve o seu próprio livro da vida, revendo-o e completando-o continuamente. A sua prática conduzirá o praticante a tirar o melhor proveito e a apreciar da melhor forma o seu próprio destino. O mantra japa, a repetição de um mantra para fins de meditação também é considerado swádhyáya. Aquele que possui o verdadeiro conhecimento da sua vida retirou por completo a violência da sua esfera de acção.


Íshvara pranidhána é a consagração a Íshvara, entendido como o arquétipo do yoguin perfeito. Desta forma, é o modelo ideal, um exemplo a ser seguido pelo praticante. A prática de íshvara pranidhána consiste em adoptar esse modelo como objecto de meditação para alcançar a iluminação, o samádhi. Pressupõe entregar as acções e seus frutos a uma vontade superior à própria. Prazer e sofrimento devem curvar-se perante o conhecimento supremo e ser atribuídos a Íshvara, para não desenvolverem nem apego nem a perda, nem narcisismo nem frustração. Íshvara é como o sol, debaixo deste nenhuma outra luz é grandiosa e toda a escuridão se desvanece. As acções espelham melhor a personalidade de uma pessoa do que as suas próprias palavras, desta forma, o yoguin aprende a arte de dedicar as suas acções à energia per si de todas as acções, reflectindo a divindade em si mesmo.


3. ÁSANA
Este é o terceiro membro do yoga, ásana ou postura psicofísica. A prática de ásana desenvolve a estabilidade e a saúde do corpo, e a leveza dos membros. Uma postura estável e agradável produz o equilíbrio mental e previne a instabilidade da mente. A sua prática desenvolve agilidade, equilíbrio, paciência, resistência e grande vitalidade. Exercitam todos os músculos, nervos e glândulas no corpo, mantendo o corpo livre de doenças.


A prática de ásana não se centra no culto do corpo, é antes um trono de contemplação e meditação acerca dos seus sentidos, acerca da mente, do intelecto e da alma. Desta forma, o corpo torna-se um veículo para o espírito. Corpo, mente, emoção e espírito são um só, não actuam separadamente, e a prática de ásana transporta-nos para essa consciência absoluta.


O ser, e neste caso particular, o seu corpo, estão em permanente e constante transformação, passam por um processo de nascimento, crescimento, desenvolvimento, maturação, e naturalmente morre… a prática de ásana permite que este processo efémero seja efectuado da forma mais consciente e equilibrada possível, mantendo o funcionamento vital saudável até o seu último suspiro, e não só torna a vida mais longa e tranquila, como torna o processo da morte mais simples, menos doloroso, mais confortável. Nos dias de hoje as pessoas envelhecem e degradam-se bastante nos últimos anos de vida, perdendo a total qualidade de vida, vivendo em necessidade de apoio extremo e sofrimento, e os últimos momentos de vida são longinquamente dolorosos e perpetuados pela doença até ao último momento. Com a prática continuada de ásana, a morte torna-se um processo simples e rápido, uma simples passagem de um plano de consciência para outro plano mais subtil.


Os nomes dos ásanas são significativos e ilustram o princípio evolucionário. Alguns adquirem os seus nomes inspirados na vegetação (vrksha – árvore; padma – lótus), outros em insectos (shalabha – gafanhoto; vrischika – escorpião), outros em animais aquáticos ou anfíbios (matsya – peixe; kúrma – tartaruga), outros em aves (mayúra – pavão; hamsa – cisne), outros nos quadrúpedes (svána – cão; ushtra – camelo), outros nos seres rastejantes (bhujang – serpente), ou mesmo o estado embrionário (garbha-pinda ou bala – embrião/bebé). Alguns ásanas são nomeados em homenagem a heróis lendários (Virabhadra – O Guerreiro; Hanuman – O Deus Macaco, filho do Vento), outros representam alguns deuses e avatares do panteão hindu (Ganesh – Deus Elefante, filho de Parvati e Shiva; Krishna).


O yoguin percebe pela prática de ásana que a sua mente não deve descuidar ou tomar irrelevante qualquer forma de vida, independentemente da criatura, toda a gama da criação desde o insecto mais baixo à forma de vida mais perfeita, todos respiram o mesmo espírito universal (purusha), assumindo infinitas formas. Por este meio o yoguin entende que a forma mais elevada é a do ser sem forma (o Si). O verdadeiro ásana é aquela postura em que o pensamento de Brahma flui incessante e sem esforço na mente do praticante.


“Shtirasukham ásanam”(Yoga Sútra, 2, 46). “Ásana é a postura firme e confortável”. Para encontrar a maneira correcta de interpretar este sútra, devemos ir até a origem da questão: sthira significa firme, sólido. Por outro lado, há várias formas de definirmos sukham: felicidade, fácil, fluído ou agradável. Patañjali coloca primeiramente o termo sthiram. Não há dúvida, então que devemos construir o ásana primeiramente, da maneira mais firme. Somente depois vem sukham, o conforto. Sukham não pode ser mole, seria ilógico uma vez que sthiram significa firme. Portanto, agradável, já que sukham significa mesmo felicidade, alegria, apresenta-se como uma forma adequada de traduzir o termo.


4. PRÁNAYÁMA
Este anga centra-se sobre a expansão e o domínio da bioenergia através do desenvolvimento de técnicas respiratórias. Prána significa alento, força vital, respiração, energia, e ayáma significa expansão, controle, domínio, retenção ou pausa. Representa também a alma como corpo subtil oposto ao corpo denso.
Na prática de pránayáma identificamos 3 diferentes fases da respiração e desenvolve-se conhecimento e experiência no controlo e expansão das mesmas fases: púraka (inalação ou inspiração – encher os pulmões de ar); rechaka (exalação ou expiração – esvaziamento dos pulmões); e kumbakha (reter ou aguentar o ar dentro dos pulmões). Quando a retenção é feita sem ar nos pulmões, suprimindo a entrada de ar, o kumbakha é denominado de shuniaka.


Pránayáma é então a ciência da respiração. Estes ritmos respiratórios fortalecem o sistema respiratório, tonificam o sistema nervoso, e reduzem a ansiedade. Quando o desejo e a ansiedade diminuem, a mente liberta-se e torna-se um veículo para a concentração. Esta prática produz ainda a lubrificação e limpeza dos tecidos (pele, músculos, articulações), dos órgãos internos, e das nádi, o corpo energético por onde flui a energia vital (prána).


5. PRATYÁHÁRA
Expansão, abstracção ou retracção dos sentidos. É a faculdade de libertar a actividade sensorial do domínio das imagens ou objectos exteriores. Nesta fase, o praticante desenvolve uma busca no auto-exame de si mesmo. Para ultrapassar a atracção pelos objectos externos cuja sensualidade capturam os seus sentidos, o praticante deve atrair à sua mente com devoção total (bhakti) a origem criadora que deu forma a todos os objectos. Tal acção romperá a visão dual na mente do yoguin. Tal prática motivará o equilíbrio dos triguná (sattva, rájas, tamas) na natureza humana, e levará no final à ascenção da manifestação sáttvica, de natureza iluminada, conduzindo o praticante à libertação dos opostos e à concentração na totalidade da alma universal.


6. DHÁRANA
Neste membro do yoga, desenvolve-se a concentração da mente e dos sentidos num só ponto (ekagráta), no intuito de limitar a actividade da consciência exclusivamente na essência da imagem contemplada. O praticante que tiver uma mente focada desenvolve poderes intelectuais superiores e sabe exactamente o que pretende, então utiliza toda a sua concentração para esse objectivo.


A mente encontra-se agrupada em 5 estados mentais: ksipta (dispersão, negação); viksipta (agitação, distracção); múdha (loucura, entorpecimento, estupidez); ekágra (atenção, concentração, foco); e niruddha (anulação da mente, do intelecto e do ego, unidade com o divino).


Para atingir o ekagráta, o yoguin concentra-se sobre o AUM. O AUM é a essência de todas as coisas, a sua prática conduz à libertação da sua forma mortal para entronar todas as formas existentes, ou estar conscientemente sem forma alguma em toda a existência.


7. DHYÁNA
A meditação contemplativa, consiste em deter as flutuações da consciência através da sua saturação na contemplação de um objecto. A meditação é o resultado espontâneo da concentração da consciência e constitui a preparação essencial para atingir o estado de samádhi (libertado).


Tal como uma garrafa de água adquire a forma do seu recipiente, a mente adquire a forma do objecto que contempla. Tal como uma lâmpada eléctrica brilha ininterruptamente quando os filamentos mantém a corrente ininterrupta, também a mente brilha continuamente quando focada no espírito universal. Atinge-se um estado de consciência absoluta, sem qualificação possível, onde se manifesta exclusivamente um sentimento de felicidade e paz. O yoguin descobre através de dhyána a sua luz interior, tornando-se luz para si e para os outros. Neste momento ele liberta-se do karma e torna-se um jivana mukta (uma alma liberada).


8. SAMÁDHI
O último membro apresentado no sistema de Patañjali, a iluminação. No pico da meditação, o yoguin passa para um estado em que o corpo e os sentidos estão repousados como se estivessem a dormir, as faculdades mentais e a razoabilidade estão alertas como se estivessem despertas, no entanto ele atravessou para além da consciência, está totalmente consciente, totalmente alerta. Existe apenas a experiência da consciência, da verdade e de uma alegria inalterável, não existem pensamentos que descrevam este estado nem palavras que possam articular a experiência, apenas um profundo silêncio consegue transmitir a essência do samádhi. O yoguin partiu do mundo material e mergulhou na eternidade. Não existe diferença entre o conhecedor e o conhecido, entre o observador e o observado.


Estes textos foram produzidos e adaptados com base nas seguintes obras bibliográficas apresentadas em baixo, as quais desde já recomendo para aprofundar o conhecimento nestes temas aqui desenvolvidos:


- B K S IYENGAR, Light on Yoga- Yoga Dipika, George Allen & Unwin (Publishers) Limited, Great Britain, 1966;
- MIRCÉA ELIADE, Patañjali e o Yoga, (1966), Relógio de Água Editores, Santa Maria da Feira, 2000;
- PEDRO KUPFER, Guia de Meditação, Câmara Brasileira do Livro, São Paulo, Brasil, 1999;
- PATAÑJALI, Yoga Sútra;
- JOSÉ HERMÓGENES, Ahimsá - A meta ética do yoga de Patañjali, extraído do livro "Convite à não-violência", extraído em www.yoga.pro.br;
- PEDRO KUPFER, Os ásanas segundo Patañjali, extraído em www.yoga.pro.br.


Desde já os meus agradecimentos e reverências a estes mestres cuja contribuição e inspiração nos permite reconhecermos o caminho do conhecimento nas nossas vidas e práticas.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

HARI OM e OM SHÁNTI SHÁNTI SHÁNTI

HARI OM e OM SHÁNTI SHÁNTI SHÁNTI


HARI OM
HARI OM
OM SHÁNTI SHÁNTI SHÁNTI



HARI OM é um mantra muito especial como poderão perceber já de seguida pela sua explicação. A motivação que leva à prática deste mantra difere da razão que motiva a prática dos mantras em geral, isto é, a prática de mantra é normalmente realizada como ekagráta, como objecto de concentração para a fixação mental, ou ainda como processo de purificação dos canais energéticos, em que o mantra nos permite penetrar nas diferentes dimensões de consciência do ser (pránamayakosha). Este mantra apresenta uma motivação diferente destas, trata-se antes de uma invocação ao Absoluto manifesto.


OM SHÁNTI SHÁNTI SHÁNTI por sua vez é um canto que surge como conclusão em todos os mantras conhecidos como Mantras de Paz ou Shánti Mantras. Este mantra é entoado no sentido de desenvolver e conduzir a educação espiritual de cada praticante para a Paz num sentido geral.


Um aspecto peculiar que podemos tratar no que toca ao mantra HARI OM é que este é o único entre todos os mantras em que o OM vem referido depois da referência à divindade HARI, e isto faz toda a diferença no que toca à motivação do praticante ao entoar este mantra como uma invocação divina. Então porque razão os mantras a todas as outras divindades principiam com o OM e só de seguida vem a referência a estas e neste HARI precede o OM?


HARI é um dos nomes de Íshvara, e significa “aquele que remove os resultados de um mau karma” (adharma), mas nos textos Vishnu Sahasranama, as características de removedor de obstáculos simbolizadas pelo nome HARI são atribuídas a Vishnu. No épico Mahabarata (Bhagavad-Gita), Krishna refere-se a si mesmo como HARI, removedor de qualquer pecado e objecto de adoração de todo e qualquer sacrifício divino. HARI é também entendido não como uma deidade mas como Brahma, a origem de tudo e de onde ressoa o próprio OM, e esta surge como a resposta à unicidade da ordem atribuída às palavras deste mantra. HARI é Brahma Purusha, o espírito /ser / essência de Brahma, OM é Brahma Shabda, o corpo sonoro /frequência de Brahma. Desta forma, o OM é uma manifestação de HARI, daí ser entoado de seguida a este e não antes, como nos mantras às outras deidades, pois todas estas se manifestam por sua vez no OM. Resumindo, HARI é ao mesmo tempo OM e vice-versa, um e outro significam o mesmo, manifestam-se no presente-passado-futuro, a contemplação do mantra OM é atingir a forma do Absoluto, e a invocação e mentalização de HARI desfaz firmemente qualquer pecado, mau karma ou efeitos astrológicos negativos, reduzindo ao mesmo tempo a ignorância humana da sua natureza divina.


Voltando ao mantra OM SHÁNTI SHÁNTI SHÁNTI, a palavra SHÁNTI é entoada por três vezes não para colocar ênfase sobre o significado da paz, mas representando as três distintas categorias em que se manifestam as perturbações à paz:


ADHIDAIVIKAM: significa literalmente “perturbações que advém de intervenção divina”, ou seja, fenómenos tais como tsunamis, tremores de terra, tempestades, erupções vulcânicas, etc., então ao primeiro SHÁNTI entendemos como “estejamos protegidos das perturbações / obstáculos que ultrapassam o nosso controle”;


ADHIBHAUTIKAM: significa literalmente “perturbações mundanas”, ou seja, fenómenos como comportamentos ruidosos, comportamentos que originam os demais tipos de poluição, problemas que surjam das relações interpessoais ou da normatização imposta pelos governos, etc., então ao segundo SHÁNTI entendemos como “estejamos protegidos das pessoas e do meio envolvente”;


ADHYATMIKAM: significa literalmente “as perturbações que se manifestam do Si”, ou seja, as perturbações que advém da mente, da emoção, ou do ego, perturbações que produzam apego ou aversão, tais como a luxúria, a inveja, cobiça, ódio, raiva, etc., então ao terceiro SHÁNTI entendemos como “estejamos protegidos dos obstáculos interiores”.


Após entoar cada SHÁNTI manifesta-se um momento silencioso, e este representa efectivamente a verdadeira paz. SHÁNTI é a realização da natureza iluminada e espiritual do praticante. De seguida deixo-vos com mais uma versão áudio original caseira do mantra Hari Om como um mantra de paz. Espero que apreciem.



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terça-feira, 26 de maio de 2009

ANNA YOGA - A ALIMENTAÇÃO NO YOGA

ANNA YOGA – A ALIMENTAÇÃO NO YOGA


Neste artigo proponho desenvolver algumas considerações do meu ponto de vista e experiência pessoal e do ponto de vista do yoga relativamente a uma temática muito importante na vida de qualquer ser, para alguns chega a ser mesmo o cerne da sua existência: a alimentação.
Não pretendo apresentar aqui um tratado científico ou filosófico acerca deste tema, mas sim fazer uma abordagem desconstructiva dos mitos, medos e maus hábitos alimentares que possam prejudicar a qualidade de vida do Ser nesta acção tão importante para a manutenção da energia e saúde de cada um e todos nós.


Desta forma, vamos começar pelos alimentos e práticas que possam ser contraproducentes ou desaconselháveis na alimentação do yoguin: NADA, RIGOROSAMENTE NADA! Cada um deverá ser responsável pela sua prática alimentar e a observação desta prática fará de si mesma/o o observador de qualquer avaliação. Devemos aceitar com consciência, discernimento e vontade de aprender as consequências, efeitos e transformações que determinados alimentos poderão resultar em nós quando inseridos na nossa alimentação. Desta forma, saberemos quando e como alterar os nossos hábitos alimentares de acordo com os propósitos que nos propomos atingir na nossa vida, no nosso bem-estar, no nosso corpo – mente – espírito.


O Yoga adoptou a alimentação vegetariana essencialmente motivado pelo preceito ético (yama) apresentado por Patanjali nos Yoga Sutras, “ahimsá” que deverá ser entendido como “não-violência” sobre qualquer forma ou ser. De seguida apresento-vos a descrição de uma dieta yoguin como relatada no tratado de yoga Hatha Yoga Pradipika:


I:57.
Com toda certeza, o brahmachari que observe uma dieta moderada e pratique o Hatha Yoga renunciando aos frutos de suas acções, converter-se-á em um siddha no prazo de um ano.


I:58.
Seguir uma dieta moderada quer dizer alimentar-se com comida agradável e doce deixando sempre livre uma quarta parte do estômago e dedicando o acto de comer a Shiva.


I:59.
Não se consideram adequados para o yoguin os alimentos amargos, agros, picantes, salgados ou muito quentes; os vegetais verdes (diferentes dos recomendados), os legumes fermentados, o azeite de sementes, o gergelim, a mostarda, as bebidas alcoólicas, o peixe, a carne, o requeijão, o soro, a manteiga, os grãos de tipo chaasa, os feijões em forma de rim, as frituras, a asa fétida e o alho.


I:60.
Também devem evitar-se a comida requentada, os alimentos secos, demasiado salgados ou ácidos e os alimentos com muita mistura de vegetais (difíceis de digerir).


I:62.
Os seguintes alimentos são recomendados para o yogi: trigo, arroz, centeio, cevada, produtos feitos de cereais, leite, manteiga clarificada (ghee), açúcar mascavado, mel, gengibre seco, pepinos, patolaka, os cinco legumes (jivanti, vastumulya, aksi, meghanada e punarnava), feijão de tipo mung e água pura.


I:63.
O yogi deve tomar alimentos nutritivos e doces, misturados com leite e ghee, que aumentem os elementos corporais (dhatus: pele, sangue, carne, gordura, osso, medula e sêmen) e que sejam agradáveis.



Apresento de seguida a alimentação do yoguin como descrita no tratado de yoga Gheranda Samhita:


5:16. Quem praticar yoga sem moderação na dieta contrairá várias enfermidades e não alcançará o êxito.


5:17. O yogui deve comer arroz, cevada e trigo. Pode comer legumes (mudga, masha) e gramíneas (grãos, cereais como milho e trigo e, ainda, folhas). Tudo deve ser limpo e puro.


5:18-19. Um yogui pode comer frutas e vegetais próprios da Índia (pepino; fruto da árvore-do-pão; manakachu; bayas, kakkola; fruto da jojoba; nozes, bunduc; plantago maior e suas raízes, figos, plátano verde, beringela e frutos e raízes medicinais (riddhi).


5:20. Pode comer as cinco folhas de plantas adequadas para os yoguis: vegetais verdes e frescos e vegetais escuros (vastukusaka, hima-lochikasaka).


5:21. Deve encher-se metade do estômago com alimentos puros, doces e refrescantes. Há que beber com prazer sumos doces, deixando vazia a outra metade do estômago. A isto se denomina moderação na dieta.


5:22. Meio estômago encher-se-á com comida, uma quarta parte com água e a quarta parte restante deverá deixar-se vazia para a prática de pránáyáma.


5:23. Ao principiar a prática devem-se evitar os alimentos amargos, ácidos, salgados, picantes e tostados. Não se tomará coalhada, manteiga, álcool, vegetais pesados, frutos da palma e frutos demasiado maduros da árvore-do-pão.


5:24. Tão pouco se deverá ingerir certos legumes (kulattha e masur), a fruta pandu, abóbora e outras cucurbitáceas (melão, melancia, cabaça, abobrinha, pepino, etc), talos dos vegetais, bayas, kathabel, kantabilva e palasa.


5:25. Evitar também kadamba, jambira, bimba, lukucha, cebolas, lótus, kamaranga, piyala, hinga (assa-fétida), salmani e kemuka.


5:26-27. O principiante deve evitar as viagens frequentes, a companhia das mulheres e aquecer-se no fogo. Não é conveniente a manteiga fresca, o ghee, o leite e o açúcar. Igualmente, o plátano maduro, a semente de cacao, a fruta lavani, amalaki e tudo o que contenha sumos ácidos.


5:28. Durante a prática de yoga pode-se comer cardamomo, jaiphal, cravo-da-índia, afrodisíacos ou estimulantes, jambo-rosa, haritaki e seiva de palma (palmeira).
5:29. Se o desejar, o yogui pode comer alimentos refrescantes e agradáveis que mantenham os fluidos do corpo.


5:30. Devem-se evitar os alimentos de digestão pesada, os que estejam em mau estado ou podres, os demasiado quentes ou demasiado frios e os muito excitantes.


5:31. Não é conveniente banhar-se muito cedo (antes do nascer do sol), jejuar ou qualquer outra coisa que agrida o corpo. O yogui deve comer várias vezes ao dia e evitar não comer em absoluto ou comer com demasiada frequência.


5:32. Seguindo estas indicações, deve-se iniciar a prática de pránáyáma. Ao princípio há que tomar diariamente um pouco de leite e ghee antes de começar os exercícios de pránáyáma; e comerá duas vezes por dia: uma vez, a meio do dia e, outra vez, à tarde.


Um aspecto que podemos desde já sobressair na análise destas duas propostas acima descritas é o factor autóctone (ou natividade) na relação entre a origem do consumidor e a origem do alimento: o yoguin deve alimentar-se de acordo com as suas características genéticas e com o contexto ecológico onde se desenvolve, identificando os alimentos que fortificam a sua saúde e bem-estar, que nutrem e limpam o organismo trazendo-lhe energia e vitalidade. Ao mesmo tempo, a observação e aprendizagem dos hábitos alimentares permitem ao yoguin conhecer os alimentos incompatíveis com a sua prática, e prejudiciais para o seu corpo.


Os alimentos crus contém mais energia e preservam os seus nutrientes essenciais quando na sua forma original, sem serem alterados pelo aquecimento como quando cozinhados. A alimentação deve ser do mais fresco que puder, preferir os alimentos do dia em vez de alimentos conservados. Os alimentos que são difíceis de assimilar pelo organismo, que obrigam os órgãos a funcionar extraordinariamente (tais como salgados, ácidos, picantes ou especiarias) devem ser moderados no uso ou evitados de todo, caso o consumidor o identifique como agressivo para o seu funcionamento digestivo. Açucares, alimentos excitantes e intoxicantes são totalmente desaconselhados ao yoguin.


Podemos também observar que ambos tratados aqui focados apresentam características únicas relativamente à alimentação, partilhando aspectos essenciais no que toca aos elementos nutritivos: uma alimentação rica em hidratos de carbono (cereais, arroz e massas), vitaminas (frutas e legumes), sais minerais (raízes e água pura), e proteína (feijão e grão), evitando alimentos de origem animal e derivados.


A carne animal é rica em proteína mas apresenta uma constituição bastante diferente do ser humano, quer em termos nutritivos, quer em grau de toxicidade. O ser humano produz aproximadamente 12 tipos de proteínas, a vaca (por exemplo) produz 5 vezes mais diversidade proteica. Todas as proteínas que não forem compatíveis com o nosso organismo terão maior dificuldade em ser assimiladas e posteriormente excretadas, alterando o funcionamento normal do organismo e correndo o risco de originar potenciais distúrbios ou doenças do tracto digestivo, excretor ou dos órgãos internos. A incompatibilidade genética na alimentação omnívora é tida como um potencial factor gerador de cancro. Ao ingerirmos carne introduzimos no nosso organismo a cadaverina, ou energia da morte. Se cortarmos um fruto, legume ou vegetal, ou parte deste e o inserirmos dentro de água, ele permanece vivo, pois neste se encontra a energia da vida. Uma flor cortada numa jarra de água abre e fecha as suas pétalas vários dias após ter sido cortada. Um animal após a sua morte já não tem vida, a carne entra em processo constante e altamente progressivo de deterioração e putrefacção.


Comer carne animal significa literalmente matar um animal para se alimentar do seu cadáver. Tal como apresentei acima, ahimsá é o princípio ético primordial na conduta do yoguin, todos os outros yamas conduzirão o yoguin progressivamente à não violência mental, espiritual, física e emocional consigo mesmo, com os outros e com o meio que o rodeia. Uma vez entendidas as suas características pessoais e conhecidos os alimentos essenciais, matar e maltratar animais para se alimentar torna-se desnecessário e compatível apenas com a barbaridade e ignorância humanas.
Os derivados de origem animal (lácteos, manteiga, iogurte, etc.) são também desaconselhados, pelas mesmas características acima mencionadas, mas especialmente pelo facto de serem responsáveis pela produção de mucosidade no aparelho digestivo e respiratório. Quando comparado com outros alimentos, os níveis de cálcio que justificam maioritariamente a opção pelo seu consumo tornam-se irrisórios perto das leguminosas verdes (ex: brócolos ou alface). Não existe outro animal na espécie mamífera que continue a beber leite após a fase de amamentação, só o ser humano o faz, explorando o alimento de outras espécies recém nascidas animais. O Homem bebe verdadeiramente leite porque come vaca à mesa, e já que gastam milhões em dinheiro e hectares de terra desflorestada, para plantações de soja que alimentam outros milhares de vacas, tem que se rentabilizar o produto: beba leite (não) pela sua saúde (mas pela saúde das nossas contas bancárias)!


A religiosidade com que se aborda a prática alimentar é também um aspecto interessante aqui focado. A alimentação é feita com devoção e agradecimento ao Absoluto, o sentido que o universo tomou para que a energia expandisse desta forma, tomando inúmeras formas até chegar a nós e em nós continuar essa transformação e expansão, continuando a alimentar a existência multiforme e unificada na consciência, é o que no yoga se chama de Bhavana, um oferecimento divino e gracioso. Se como descrito no Hatha Yoga Pradipika se dedica uma parte do espaço no estômago a Shiva, à presença constante da consciência na existência absoluta, no Gheranda Samhita verificamos um mesmo espaço dedicado ao pránayáma, ao alento vital, ao corpo gasoso que nos habita e nos torna unos com todos os seres existentes, aquele que permeia o vazio e a criação. Respirar é o veículo da vida, é o acto também que alimenta a consciência pois é a matéria de que esta é feita, prána é vida, é luz, é amor. Esta é a religiosidade que está presente em tudo e também na alimentação, não são crenças mitológicas nem filosofias profundas. É estar plenamente imbuído no processo da alimentação, consciente do seu entendimento profundo.
Para perceberem um pouco a ideia, comparem-na ao acto sexual: se estiverem a ter relações com o vosso parceiro/a e estiverem a fantasiar com alguém na vossa cabeça ao mesmo tempo, acham que a experiência vai ser verdadeiramente interessante e exponencial? Claro que não! Se não se absorver no seu parceiro/a como um só, se não dedica a sua atenção ao momento presente, nunca conseguirá transcender a mecânica física e mental para o êxtase energético e espiritual de se estar em unidade. Com a alimentação passa-se o mesmo, afinal de contas somos ou não somos aquilo que comemos? Sejamos um com o alimento, físico-mental-emocional e energeticamente, sejamos religiosos ao ponto de não nos subvertermos durante este acto, comer totalmente concentrados na acção universal, no caminho da energia.
Comer sentado à frente da televisão é o melhor exemplo da falta de religiosidade contemporânea: a informação que passa em horário nobre (das refeições), nomeadamente os telejornais, são responsáveis pela manipulação da informação para que uma pessoa mentalmente se alimente de medos criados pela ignorância, medo da guerra, do terrorismo, dos assaltos, das doenças, da crise, e da morte, no momento em que preenche uma necessidade tão completa quanto a alimentação. Desta forma, este é o menu mental que a sua mente conduzida pela programação televisiva irá digerir e assimilar juntamente com o alimento. Desliguem as televisões à refeição pela vossa integridade e verão como a vossa alimentação melhorará qualitativamente. Façam da alimentação um acto consciente.


Outro alimento que é aqui abordado mas levanta alguma reflexão é o mel: apesar de ser elevadamente proteico, e até essencial na alimentação de algumas comunidades, o mel tem também um elevado grau de açucar e outras toxinas. Se por um lado é favorável no tratamento de irritações do tracto respiratório / digestivo, ao mesmo tempo o consumo regular de mel contribui para a intoxicação das nadís, ou corpo energético. Ao mesmo tempo, outro preceito yoguin focado nos yamas propostos por Patanjali é “asteya”, não roubar, e tirar o mel que é o bem essencial na alimentação e habitação das abelhas não é outra coisa que apropriar-se de algo na natureza que não é seu e ao mesmo tempo essencial para a preservação e manutenção da espécie que o produz. Reflictam sobre isto.


O consumo de álcool é também desaconselhado nestes tratados, tabaco e drogas não são aqui mencionados, mas faço questão de dedicar-lhes um parágrafo juntamente com o álcool. O álcool é uma essência pesada, não traz iluminação ao homem. Por mais que beba o homem não ascende, pelo contrário torna-se pesado e cai. O máximo que acontece é o amolecimento do ego, dada a inconsistência deste corpo: o ego deixa de estar tão normalizado pelos condicionamentos sociais, e o alter-ego manifesta-se assumindo por vezes o controle quando o consumo é exagerado. Este processo não traz qualquer consciência, pelo contrário traz até o esquecimento de tudo o que se passou logo após a ingestão de grandes quantidades de álcool. Desta forma, desloca a atenção do yoguin da consciência absoluta de Shiva. E como não bastasse, seca e danifica o funcionamento do aparelho respiratório e articular, e é altamente agressivo para os órgãos internos do ser humano. Se tiver que beber, opte por vinho tinto, num máximo de 2 copos. E se beber, por favor, não conduza em qualquer situação, nem coloque a sua vida nem a de alguém em perigo.
O tabaco é altamente prejudicial para o sistema respiratório e para a cabeça, não esqueçam que o cérebro se alimenta exclusivamente de oxigénio. O seu consumo torna o pránayáma deficiente na sua vida, é altamente debilitante para a saúde humana. As tribos indígenas usam o tabaco num ritual xamânico, com este libertam os espíritos que no plano astral se mantém agarrados ao plano físico, retirando energia dos seres vivos. O fumo é inalado pela boca, sem atracar ou engolir de alguma forma o fumo, e é exalado sobre a pessoa ou ser que se que se encontra sobre a influência desses espíritos. Nem a saliva se engole depois de fumar, a saliva é cuspida num escarratório com água e a boca é lavada completamente de seguida. Mais um ritual que o homem ocidental entendeu que poderia ser financeiramente rentável se introduzido de maneira descontextualizada aos consumidores ocidentais.
As drogas alucinogénicas ou para curar a saúde (antibióticos), especialmente as de origem química, são completamente desaconselhadas para qualquer yoguin ou ser humano. As drogas debilitam o sistema imunitário, deixando o corpo vulnerável a doenças e enfermidades, e alteram a atenção à consciência não contribuindo para um percurso lúcido por parte do yoguin. Se pretendem verdadeiramente conhecer o potencial da mente humana e sentidos percepcionais através do uso de essências, recomendo que se informem devidamente acerca das maneiras de o fazer em rituais de conhecimento, com essências naturais sem químicos, e com o acompanhamento de um guia / xamã / mestre experimentado no uso dessa substância e na relação desta entidade com o conhecimento de Si. Certifiquem-se que qualquer experiência será segura e que não colocará em risco a vossa integridade (para mais informação nesta matéria recomendo a leitura da obra de Carlos Castaneda ou o livro O Pão dos Deuses, de Steve Mckeena).
No que toca aos remédios, devemos optar se não houver realmente outra hipótese, pelos indutores naturais, medicamentos de origem natural ou não-química, pela sua tolerância no nosso organismo. Podem mesmo ser essenciais na cura de alguns processos de doença. Os que devemos evitar são as drogas legais, medicamentos de origem química industrializados e distribuídos em doses maciças nas sociedades. Ingeri-los só disfarça o processo de doença, atrasando apenas o culminar da realidade, a doença irá manifestar-se mais cedo ou mais tarde, e nessa altura o organismo e sistema imunitário estarão debilitados pelo consumo desregrado e continuado de fármacos. Práticas de purificação diárias (kriyá), pránayáma, ásana, anna yoga e dhyána (meditação) serão suficientes para o yoguin permanecer mais atento aos sinais de saúde e / ou doença, e estando consciente evitar acidentes ou descontrolos na sua prática regular. Sempre ouvi dizer que mais vale prevenir do que remediar, e esta é das poucas máximas que se dizia que acredito que tem razão de continuar a ser utilizada. Evitem os antibióticos, em caso de doença informem-se bem relativamente aos sintomas, consultem a opinião de diferentes especialistas, verifiquem e controlem a origem dos produtos que vos recomendam, e prefiram sempre que possível produtos de origem natural vegetal. O negócio de fármacos é o segundo maior mercado existente no globo terrestre a seguir à indústria da guerra, recusem qualquer consulta médica em registo “take away”: do tipo entrar no consultório, ainda nem abriu a boca para dizer “aaaaaah”, e já tem uma prescrição médica na carteira para ir levantar na farmácia. Esqueça isso, seja exigente, afinal de contas é um serviço pago por si, deve ser tratado/a com respeito e dignidade, e deve procurar obter o máximo de informação pertinente para o seu caso de saúde ou doença, não alimente nenhum acordo entre delegados de propaganda médica, médicos e farmacêuticas. Todos eles se alimentam às custas da sua energia e saúde. Ah, e claro, do seu dinheiro!


Como poderemos verificar adiante neste artigo, existem outros estudos que comprovam e demonstram outras oportunidades e modalidades no que toca aos hábitos alimentares. Apresento-vos de seguida uma tabela com diferentes tipos de alimentação:


- vegetariano (alimenta-se de frutos, legumes e verduras, excluindo os produtos de origem animal e derivados);
- crudivegetariano (tal como o vegetariano, mas não altera as propriedades dos alimentos cozinhando-os, come o alimento cru, para não alterar os seus nutrientes);
- frutovegetariano (alimenta-se exclusivamente do fruto da planta, aquele que por natureza a planta mãe acabará por rejeitar. Desta forma, não elimina a existência de qualquer ser vivo. Por exemplo, numa couve não se corta o caule matando a planta, alimenta-se apenas das folhas);
- ovolactovegetariano (tal como o vegetariano, mas complementa a alimentação com derivados animais, tal como leite, manteiga, queijo, etc.);
- macrobiótico (enfatiza o uso de cereais integrais cultivados localmente, legumes e produtos de soja fermentada, combinados em refeições pelo princípio das propriedades do yin e yang);
- omnívora (come todo o tipo de alimentos de origem vegetal ou animal);
- grupo sanguíneo (de acordo com a constituição sanguínea, utilizam alimentos vegetais e/ou animais que se afiguram indicados para uma dieta equilibrada e geneticamente não-agressiva ou tóxica para o seu organismo);
- Pránica (entenda-se energia vital ou solar, as pessoas que adoptam este tipo de alimentação vivem do alento vital, a energia contida no oxigénio, e disponibilizam o seu dia na captação e conservação deste alimento através de pránayáma, kriyá, bandha, dhárana e dhyána, não podendo dispender muita energia em actividades que não contribuam para esta forma de estar. Totalmente desaconselhado para quem viva na cidade e tenha uma rotina urbana);
- comedores de terra (alguns retiram os nutrientes essenciais à vida directamente da Mãe Terra, devendo para este efeito comer-se terras limpas ou argilas, sem elementos tóxicos, e ricas em nutrientes vivos. Totalmente desaconselhado em meio urbano pelo elevado grau de poluição);
- ingestão de urina (a urina regista toda a informação sobre o que ocorre no corpo, trata-se então de um processo simbiótico de assimilação da própria urina, uma reciclagem interna do organismo. Esta alimentação é complementada com qualquer regime vegetariano acima descrito);
- essências xamânicas (o consumo de propriedades retiradas da natureza: raízes, ervas, cogumelos, extractos, etc., cujos elementos operam essencialmente no alimento do corpo energético e na purificação do corpo físico).


Os objectivos gerais tanto do uso da argila e terra, como da urina, prána ou essências xamânicas na alimentação são:


- limpeza do organismo;
- purificação / desintoxicação;
- potenciador imunológico;
- energização;
- auto-conhecimento.


A minha alimentação baseia-se essencialmente nos hábitos crudofrutovegetarianos, complementados com regularidade com a alimentação pránica e a ingestão de urina, e por vezes com a ingestão de argila e / ou substâncias xamânicas. No entanto, foi por demais importante conhecer a alimentação ideal para o meu grupo sanguíneo de modo a ter uma abordagem equilibrada que fosse de encontro às minhas necessidades nutritivas, e como tal dedicarei aqui um parágrafo a este tipo de alimentação:


Determinadas pessoas, de acordo com o seu grupo sanguíneo, apresentam maior sensibilidade e exigência em alguns dos seus principais orgãos vitais (ex: rins, fígado, vesícula, etc.), e mediante o seu grupo sanguíneo estes órgãos internos poderão produzir bastante energia, ser bastante activos, mas por outro lado registar elevados níveis de toxicidade pela incapacidade destes órgãos assimilarem e transformarem certas substâncias que se apresentam indesejáveis / tóxicas para o seu grupo sanguíneo.
A fome insaciada e os apetites descontrolados, mesmo após uma refeição farta, resultam da incapacidade do organismo assimilar os nutrientes contidos no alimento por estes não se adequarem à reais necessidades do seu grupo sanguíneo. Uma refeição farta não é de alguma forma sinónimo de alimentação completa ou saudável.
Consultem a tabela de alimentos adequada ao vosso grupo sanguíneo e aprendam algo acerca da vossa herança genética, e vejam como isso poderá ser influente na vossa alimentação.


Estamos a aproximar-nos do fim, e se de alguma forma ainda não sabem como planear uma dieta equilibrada, deixo-vos aqui com umas propostas criativas e interessantes(pelo menos não serão prejudiciais à vossa saúde, isso vos garanto):


A alimentação pela cor é uma proposta bem simples e variada. Para a compreendermos começamos pelos chakras (centros energéticos), cada um tem uma cor, temos 7 cores diferentes em todo o corpo, cada cor representa um determinado tipo ou estado da energia. Os alimentos por sua vez surgem nos mais variados tons e cores. Os apologistas deste hábito alimentar defendem que a alimentação deve ser atentamente colorida e diversificada, devemos alimentar-nos com todas as cores e variar no tipo de alimento. Podemos por exemplo, comer um alimento de cada cor durante o dia, ou variar a cor de acordo com o dia da semana;


A alimentação pela lua (ou fases da lua), é outra proposta igualmente interessante. A lua é o segundo principal satélite natural responsável pela influência pránica no planeta Terra, pois esta reflecte a luz solar sobre o globo. Como se sabe, a Lua tem uma importância de relevância maior sobre todos os ciclos da vida no planeta (ex: crescimento do cabelo, das unhas, das plantas, a gravidez, as ondas do mar, os ventos, as marés, as estações do ano, etc.). Durante a fase de Lua Nova, a lua não reflecte a luz solar, a alimentação deve ser rica e diversa em nutrientes para compensar a menor quantidade de captação de prána (energia); em fase de Quarto Crescente, os seres vivos estão influenciados lunarmente no seu crescimento, devemos aproveitar aqueles que produzem nutrientes essenciais, vitaminas e proteínas; na fase de Lua Cheia, a Terra está exposta à radiação solar praticamente 24 horas por dia, desta forma, por ser bastante intensa a influência solar, recomendam-se refeições simples e ligeiras, de digestão fácil. A prática de jejum é mais facilmente obtida durante esta fase lunar; para concluir, em fase de Quarto Minguante, chegamos à fase da purgação, todo o reino animal e vegetal liberta toxinas nesta fase (podem confirmar em vós mesmos, aquele acne que surge nesta fase da lua, as perturbações intestinais, febres e suores). Dado o elevado grau de libertação da toxicidade nos alimentos, recomenda-se a preferência para os hidratos de carbono (cereais, arroz, massas, etc.), essenciais a uma alimentação equilibrada pois atribuem bastante energia imediata, e neste caso não libertam tanta toxina.


Para concluir este artigo, vou deixar-vos com umas máximas de pensamento para se ter em mente relativamente à alimentação:


- eliminem qualquer tabu relativamente à alimentação, diz NÃO! ao medo de comer, muito pior do que comer sem saber se será prejudicial é comer acreditando mesmo que o alimento vos fará dano, desta forma é impossível escapar aos seus efeitos. Se comes batatas fritas então acredita que são saudáveis e dão saúde, se fumas acredita que o cigarro te traz anos de vida! Não te esqueças é que podes enganar quem tu quiseres, só não te consegues enganar a ti mesmo. Se a mente te diz algo diferente do desejo que sentes de comer, se comes contrariado ou contrafeito, de uma vez por todas toma uma decisão, e o meu conselho é que seja a decisão mais consciente, segue aquilo que te disser a consciência;


- o alimento não é crucial para a manutenção da vida, mas sim opcional. Existem comunidades de pessoas que se alimentam de prána, não comem alimentos. Investiguem sobre isto. O alimento está onde colocarmos a nossa consciência e atenção, basta que se dediquem e pratiquem a opção tomada com vontade e coragem. Se não forem diabéticos, experimentem fazer um jejum, no dia anterior comam refeições ligeiras, frutas e /ou sopas, jejuem um ou dois dias sem comida e sem água, pois se ingerirem água o estômago vai começar a trabalhar e vai ser muito mais difícil controlar o jejum. Para quebrar o jejum, comer frutas ou ingerir sumos de fruta e água. Irão perceber uma série de mitos que existem acerca da alimentação;


- Diversifiquem ao máximo a vossa prática alimentar, sejam originais e autênticos, descubram o prazer dos sentidos na culinária e deixem que estes vos guiem conscientemente na descoberta dos prazeres da alimentação saudável. Não caiam na rotina de querer repetir sensações: aquele prato de caril tão delicioso nunca mais voltou a saber como da primeira vez, e digo-vos mais, nunca mais saberá nem daqui a mil vezes, pois o que vocês procuram é uma sensação e não uma receita mágica. Sejam audazes, livres e criativos;


- Não sejam radicais na vossa alimentação, de uma forma geral, em nenhum aspecto da vossa vida isso vos irá beneficiar. Quando me tornei vegetariano chegava a ter discussões desagradáveis pelo facto de me repugnar o acto de pessoas conscientes se alimentarem de animais, ou ficar completamente de mau humor se alguém acende um cigarro ao nosso lado… sejamos flexíveis, apresentemos as diferentes formas de estar, respeitemos o próximo quanto às suas opções e sejamos ao máximo autênticos e corajosos para afirmar livremente e amorosamente a nossa forma de estar neste mundo. Se hoje me convidam para almoçar ou jantar, e por esquecimento ou ignorância dos meus hábitos alimentares me oferecerem um prato com um animal, eu vou aceitar e partilhar deste ritual, o animal já morreu para este propósito, seria no mínimo um desrespeito para com a sua existência, eu o louvo pela sua coragem… antes comê-lo que deixá-lo morrer em vão, que a sua morte contribua no mínimo para algo maior, para a existência, e não para o fel da luxúria. Logo de seguida deixo bem claro as minhas convicções, e que à próxima devem de estar preparados para servir vegetariano. GO VEG!!!


Espero que depois desta conversa não vos tenha dado a volta ao estômago, se for esse o caso, então BOM APETITE e BOAS PRÁTICAS ALIMENTARES!